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Uma reflexão
bíblico-teológica
sobre os pontos basilares
das boas-novas de salvação.
“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder
de Deus para salvação de todo aquele que nele crê; primeiro do
judeu, e também do grego”.
Romanos 1: 16.
Na literatura clássica, a palavra evangelho designava a
recompensa dada pela entrega de boas notícias. O evangelho não
vem apenas em poder, mas é o próprio poder de Deus. Paulo o
reputa como um tesouro sagrado, 1 Timóteo 1: 11 e 15. O termo
evangelho provém do grego “evangelion”, que significa,
literalmente, "boas-novas", Marcos 1: 1, 15 e 16: 15.
Para fins práticos, evangelho é o poder de Deus revelado no seu
filho, Jesus Cristo; é Deus fazendo missões culturais e
transculturais, por meio de seu filho unigênito, João 3: 16; é o
verbo que se fez carne e habitou entre nós, João 1. É próprio
Jesus encarnado, que morreu e ressuscitou ao 3º dia para
consumar a obra da salvação.
O evangelho é o mais fascinante projeto de vida que Deus tem para
oferecer à humanidade perdida e condenada. Projeto que reconstrói
lares, restaura vidas arruinadas, reintegra o homem à sociedade e o
conduz à vida eterna. Ele tem transformado milhares e milhares de
pessoas num acontecimento de vida, alegria e esperança, e tem
gerado os homens mais humanos da história, dos quais o mundo não era
digno.
Por amor e fidelidade ao evangelho de Cristo, homens foram
apedrejados, torturados, serrados, desamparados, afligidos,
maltratados, tentados, injuriados, mortos a fio da espada, Hebreus
11: 37 e 38. Sem o Evangelho não existiriam os ex-viciados,
ex-drogados ex-bandidos, ex-ladrões, ex-alcoólatras, ex-prostitutas,
ex-homossexuais, ex-feiticeiros, ex-assassinos, ex-mentirosos,
ex-corruptos, ex-condenados, etc.
Somos gratos a Deus pelo evangelho, que tem transformado o mais
terrível pecador numa nova criatura em Cristo Jesus, 2 Co 5: 17.
Portanto, Evangelho não é invenção humana nem tampouco um conto de
fada, mas uma verdade irrefutável, que não pode ser negada e que tem
atravessado séculos e mais séculos e chegado até nós.
O apóstolo Paulo, em seu tratado teológico, conforme Romanos 1: 16,
trabalha, de maneira bem didática, a riqueza teológica a respeito
das verdades incontestáveis sobre o poderoso Evangelho. Nesse
tratado, ele pré-estabelece alguns pontos que se tornaram básicos e relevantes para a fé cristã. Senão,
vejamos:
Sua origem: Deus
“... é o poder de Deus...”. É importante destacar que o
evangelho tem sua origem em Deus, ou seja, ele nasceu no coração de
Deus e é tão antigo, se assim podemos dizer, quanto o pecado, Gn 3:
15. Paulo já inicia a carta aos Romanos, capítulo 1.1, afirmando que
foi separado para o evangelho de Deus: “Paulo, servo de Jesus
Cristo, separado para o evangelho de Deus”.
Evangelho não é algo inventado por algum erudito, nem algo
descoberto por algum professor de Teologia. É fato bendito da
revelação de Deus. Por isso, a igreja é obra genuína do Evangelho de
Deus. Ela, como corpo de Cristo e não como instituição eclesiástica,
mas de pessoas lavadas e redimidas pelo sangue de Jesus, só existe
por causa do evangelho.
Portanto, ele não é presbiteriano, assembleiano, batista,
metodista, pentecostal nem tampouco histórico. As boas-novas de
salvação são obra exclusiva de Deus. Sua marca e patente estão
registradas nos céus. Não pertencem a nenhuma empresa ou igreja
privada. Pelo contrário, à igreja Deus confiou a tarefa de levar o
evangelho a toda à criatura, mas não o direito de se apoderar dele,
a ponto de querer gerenciá-lo.
Sua força: o poder
“... é o poder...”. Jesus disse: “Mas recebereis poder, ao
descer sobre vós o Espírito Santo...”, Atos 1: 8. A palavra
poder é, no original, “dynamis”. Dela se derivam três outras na
Língua Portuguesa: a) Dinamite, que é um explosivo. O crente cheio
do poder do Espírito destrói todas as fortalezas do diabo. B)
Dínamo, gerador de energia. O crente cheio do poder do Espírito
Santo é um gerador de energia espiritual.
Jesus disse certa feita: “Quem crê em mim, como diz a Escritura,
do seu interior fluirão rios de águas vivas”, João 7: 38. c)
Dinâmico, que se traduz por movimento, capacidade, eficácia. Em
outras palavras, o crente cheio do poder do Espírito Santo é ativo,
disposto e enfrenta qualquer desafio no trabalho do Senhor. A Bíblia
recomenda que sejamos cheios do Espírito: “... mas enchei-vos
do Espírito Santo”, Efésios 5: 18.
Sabem por que as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja?
Porque ela é movida pelo poder do Espírito Santo, Mateus 16: 18,
Atos 1: 8. Nos tempos primitivos o império romano tentou impedir a
progresso da igreja, mas não conseguiu. Na idade média ou idade das
trevas (séculos V a XV) houve grandes investidas contra a igreja,
mas nada pôde detê-la. Ainda hoje, muitas são as investidas
de Satanás, mas ela é mais do que vencedora, Romanos 8: 37.
Sua prioridade: a salvação
“... para salvação...”. É importante relembrar que o
evangelho nasceu no coração de Deus, e nasceu com um propósito
definido por seu criador: trazer salvação ao homem perdido: “Porque
o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”, Lucas
19: 10. Não há dúvidas de que a prioridade é
a salvação da humanidade. Tudo que fugir desse contexto não é
bíblico, mas humano.
Portanto, cremos no Jesus (evangelho) que cura, soluciona problemas,
derrama bênçãos sobre o seu, dá prosperidade espiritual e material,
abre portas e faz tudo o que for necessário para os que nele
confiam. Tudo isso é bom e bíblico, mas não se constitui na essência
do objetivo primeiro do evangelho, que é proporcionar ao pecador a
vida eterna. Por isso, a igreja não pode perder o sentido dessa
verdade.
Os pregadores da atualidade precisam expor a mensagem do
arrependimento e da fé, elementos essenciais no processo da
conversão. O arrependimento para remissão de pecados foi a
contundente mensagem pregada por João Batista no deserto, por Jesus,
por ocasião de seu ministério na terra, pelos os discípulos e pelo
apóstolo Paulo: “Arrependei-vos e crede no evangelho”. Há de
se considerar que o discurso teológico (evangelho) precisa ser
contextualizado, mas não pode perder sua essência e beleza bíblica e ungida.
Sua extensão: o mundo
O texto diz: “... de todo aquele...”. Isso nos leva a pensar
na universalidade ou expansão das boas novas de salvação, ou seja, o
evangelho não nasceu apenas para os judeus, mas para todo aquele que
crer em Jesus, primeiro do judeu e também do grego, João 1: 11. Na
Grande Comissão, Jesus disse: “Portanto, ide e fazei
discípulos de todas as nações...”, Mateus 28: 19. Ele ainda
ordenou: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo,
em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, Mateus 24:
14.
Vale ressaltar que o termo nações neste texto não se refere,
necessariamente, às nações politicamente organizadas, mas às etnias ou povos. Uma etnia, por exemplo, é um grupo
(povo) que se distingue de outro grupo humano por sua língua e
cultura distintas, isto é, costumes, crenças, valores. No Brasil,
por exemplo, existem, além dos indígenas, muitas etnias formadas por
imigrantes. Os povos da janela 10x40 são etnias que
precisam ser alcançadas. Pregar o evangelho a todas as etnias é a
missão que Deus incumbiu à igreja na face da terra.
Por isso, não há limites para se pregar o evangelho. Efésios 3: 18
fala das dimensões ou do alcance do evangelho (amor) de Deus:
largura: todas as nações e classes de pessoas; extensão: todos os
tempos; altura: sua divindade e onipotência; profundidade: a ação
poderosa do evangelho, que desce ao abismo do pecado e tira de lá o
mais vil pecador. O apóstolo João contemplou em sua visão uma grande
multidão (etnias) que fora alcançada pelo evangelho de Deus: “...
vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as
nações, tribos, povos e línguas, que estavam diante do torno, e do
cordeiro...”, Apocalipse 7: 9.
Sua condição: a fé
Aqui está o ponto final do tratado teológico do apóstolo Paulo: “...
aquele que crê...”. Observe bem o leitor que a única
coisa que o pecador precisa fazer para receber o evangelho da
salvação é ter fé em Jesus. No verso 17, o apóstolo autentica sua
teologia ao afirmar: “Por que nele se descobre a justiça de Deus
de fé em fé. Como está escrito: mas o justo viverá da
fé”. Crer é a porta de recepção ao evangelho. Para receber
as boas novas da salvação e mudar de vida não é preciso ter
dinheiro, status, posição, fazer boas obras, etc.
Mas é preciso tão-somente crer que Jesus é capaz de transformar a
humanidade perdida. O interessante é que ele tem, de fato, alcançado
todos os tipos de pessoas e todas elas praticam o mesmo ato:
apenas creem no evangelho transformador. Este ponto basilar da
teologia paulina encontra forte amparo na carta escrita aos efésios:
“Pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós, é
dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie.”, 2:
8.
Portanto, o evangelho é o poder de Deus, que salva por meio da fé: “Se
com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres
que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”, Romanos 10: 9.
Os pecadores se convertem ao Senhor Jesus unicamente por meio da fé,
ouvindo a mensagem do evangelho: “De sorte que a fé vem pelo
ouvir, e o ouvir pela palavra (evangelho) de Deus”. Não há outra
forma ou mágica de salvação. Basta, simplesmente, crer em Jesus.
Todas as demais coisas surgem como resultado deste ato.
Diante dessas considerações, gostaria de relembrar, segundo alguns
escritores, algumas diferenças peculiares entre evangelho e
religião:
“A religião é obra do homem; mas o evangelho é obra de Deus;
A religião é constituída de ponto de vista; o evangelho de boas
notícias;
A religião traz bons conselhos; o evangelho, uma poderosa
proclamação;
A religião é o que o homem faz por Deus; o evangelho é o que Deus
faz pelo homem;
A religião é o homem em busca de Deus; o evangelho é Deus em busca
do homem;
A religião é o homem subindo a escada da justiça própria; o
evangelho é Deus descendo a escada da encarnação para se encontrar
com o homem no 1º degrau;
A religião toma o homem e o deixa como está; o evangelho toma o
homem como está e o deixa transformado;
A religião promove uma reforma exterior e hipócrita; o evangelho
efetua uma mudança interior;
A religião passa uma caiação; o evangelho limpa, alveja e dá um novo
coração;
A religião diz: alcance; o evangelho diz: obtenha;
A religião diz: tente; o evangelho diz: receba;
A religião diz: esforça-te; o evangelho afirma: confia no Senhor;
A religião diz: desenvolva-se a si mesmo; o evangelho diz: negue-se
a si mesmo;
A religião diz: salve-se; o evangelho entregue-se a Jesus;
Existem muitas religiões, mas um só evangelho”. Por isso, Paulo está
cheio de razão em dizer: “Não me envergonho do evangelho...,
pois é o poder de Deus para salvação...”.
(Sermão pregado
aos alunos do Curso de Teologia do SPR de
Cianorte e do CESUMAR, Maringá, em 2009)
...................
Émerson Garcia Dutra é pastor da
IPRB desde 11/01/1986.
Detentor do prontuário número 427.
Titular da Secretaria Central da IPRB.
Artigo publicado
no Jornal Aleluia de maio de 2011. |
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Direitos autorais
E ste artigo pode ser reproduzido livremente para
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sendo, porém, vedada sua publicação sem autorização formal da Editora Aleluia.
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De Marli José da Silva
Rodrigues
Igreja Batista Independente Filadélfia
Sorocaba - SP
Gostei muito da matéria do jornal
Aleluia do mês de maio de 2011, do Pr. Emerson G. Dutra, na
página Reflexão, sob o título: ''Teologia do Evangelho''. Fui
muito edificada. Parabéns por esse jornal que sempre traz
mensagens tão lindas e úteis.
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