|
A doutrina da justificação
Pr. Sérgio Dário Costa Silva, M.Th
Anápolis, GO
Entre as inestimáveis
doutrinas do Cristianismo está a justificação. Doutrina esmerada pelo
apóstolo Paulo em sua magna Carta aos Romanos e resgatada por Lutero, na
Reforma. A ausência e a incompreensão desta doutrina no período da Idade
Média trouxeram muitos prejuízos como a escravidão da consciência, conceitos
errados acerca de Deus e Sua justiça, comprometendo toda a Soteriologia,
além de deturpar o Cristianismo. Isso mostra que ela é uma das colunas do
Cristianismo. Sendo assim, compreender o verdadeiro significado dessa
doutrina é algo indispensável a todo cristão.
Quanto à sua conceituação,
no AT, embora o termo “justificar” tenha, às vezes, uma conotação moral ou
ética, grande parte de sua ocorrência deixa evidente o aspecto forense do
termo, onde uma pessoa é declarada judicialmente justa por ter uma vida
coerente com as exigências da lei (Ex 23.7; Is 5.23; Dt 25.1; Pv 17.15). O
sentido neotestamentário do termo “justificar” é mais amplo, pois se trata
de uma pessoa declarada justa ante o tribunal de Deus, com base na justiça
de Cristo.
Quanto à natureza da
justificação,
é importante ressaltar que o homem justificado não se torna justo, mas é
declarado justo, tratando-se de duas afirmações diferentes. Um dos erros da
tradição escolástica, no período pré-reforma, foi interpretar o termo
“justificar” como sendo “tornar justo”. Mas, com a Reforma, Lutero reafirmou
o sentido legal do termo. A justificação é o direito legal de se ter acesso
e comunhão com Deus. Não se trata de uma justiça infundida no homem.
Quanto ao fundamento,
a justificação tem como base a justiça de Cristo. Sendo o homem incapaz de
se auto-justificar, Deus o justifica. Surge então a questão: como Deus,
sendo absolutamente justo, pode justificar o homem injusto e pecador? Paulo
responde e deixa claro que Cristo se fez justiça por nós (Rm 3.24-26; 4.5;
1Co 1.30). Portanto, Deus não é injusto ao justificar o injusto, pois o
fundamento é a justiça de Cristo e Deus considera a justiça dEle pertencente
ao homem.
Quanto à necessidade de
justificação,
estende-se a partir da queda de Adão. Com a desobediência de Adão o pecado
entrou no mundo, a raça humana herdou a corrupção do pecado e,
conseqüentemente, o homem é injusto desde seu nascimento (Sl 51.5; Gn 8.21).
Assim, o homem é incapaz de agradar a Deus e fazer sua vontade (Rm 8.7-9).
Além do mais, o pecado atrai a ira de Deus. Sua ira requer juízo e a
justificação impede que esse juízo seja executado. Assim como o pecado de
Adão foi imputado à humanidade, a justiça de Cristo é imputada ao homem.
Assim, a justificação é necessária porque o homem é incapaz de adquirir sua
própria justiça, ele é injusto por natureza.
Quanto ao meio pelo qual o
homem se apropria da justificação,
Paulo afirma que é somente pela fé. Não é por intermédio de obras. De outro
lado, deve-se ter muita diligência para não cair no erro de ter a fé como
fonte ou fundamento da justificação, pois a fé em si mesma não justifica, é
apenas um receptor. A fonte da justificação é Deus e Sua justiça e o
fundamento é a cruz de Cristo. O homem não é justificado por causa de sua
fé, pois, se assim for, a fé deixa de ser um meio para ser uma obra
meritória. A justiça de Cristo é suficientemente perfeita e exclui qualquer
complemento.
Portanto,
considerando que somos justificados pela fé em Cristo Jesus, somos livres
para servir a Deus, sem medo de sermos rejeitados por Ele. Temos livre
acesso ao trono da graça em liberdade de consciência. Somos justificados,
somos livres.
Publicado
no Jornal Aleluia de maio de 2007
O que
você gostaria
de fazer?
|
Direitos autorais
E ste artigo pode ser reproduzido livremente
para
fins pessoais,
sendo, porém, vedada sua publicação sem autorização formal da Editora Aleluia.
|