150 artigos
completos,
 classificados
por temas, títulos
e autores para
você ler, estudar
ou copiar.

Artigos   |   Estudos bíblicos   |   Reflexões   |   Jornal Aleluia   |   Página inicial  

 
  Recentes
  Por autor
  Por temas
  Por títulos
 
 Loja Virtual
 Reflexões
 História
 Biografias
 Pensamentos
 O que há de novo
 Enquete
 Fale conosco
 


A doutrina da justificação

Pr. Sérgio Dário Costa Silva, M.Th
Anápolis, GO

 

Entre as inestimáveis doutrinas do Cristianismo está a justificação. Doutrina esmerada pelo apóstolo Paulo em sua magna Carta aos Romanos e resgatada por Lutero, na Reforma. A ausência e a incompreensão desta doutrina no período da Idade Média trouxeram muitos prejuízos como a escravidão da consciência, conceitos errados acerca de Deus e Sua justiça, comprometendo toda a Soteriologia, além de deturpar o Cristianismo. Isso mostra que ela é uma das colunas do Cristianismo. Sendo assim, compreender o verdadeiro significado dessa doutrina é algo indispensável a todo cristão.

Quanto à sua conceituação, no AT, embora o termo “justificar” tenha, às vezes, uma conotação moral ou ética, grande parte de sua ocorrência deixa evidente o aspecto forense do termo, onde uma pessoa é declarada judicialmente justa por ter uma vida coerente com as exigências da lei (Ex 23.7; Is 5.23; Dt 25.1; Pv 17.15). O sentido neotestamentário do termo “justificar” é mais amplo, pois se trata de uma pessoa declarada justa ante o tribunal de Deus, com base na justiça de Cristo.

Quanto à natureza da justificação, é importante ressaltar que o homem justificado não se torna justo, mas é declarado justo, tratando-se de duas afirmações diferentes. Um dos erros da tradição escolástica, no período pré-reforma, foi interpretar o termo “justificar” como sendo “tornar justo”. Mas, com a Reforma, Lutero reafirmou o sentido legal do termo. A justificação é o direito legal de se ter acesso e comunhão com Deus. Não se trata de uma justiça infundida no homem.

Quanto ao fundamento, a justificação tem como base a justiça de Cristo. Sendo o homem incapaz de se auto-justificar, Deus o justifica. Surge então a questão: como Deus, sendo absolutamente justo, pode justificar o homem injusto e pecador? Paulo responde e deixa claro que Cristo se fez justiça por nós (Rm 3.24-26; 4.5; 1Co 1.30). Portanto, Deus não é injusto ao justificar o injusto, pois o fundamento é a justiça de Cristo e Deus considera a justiça dEle pertencente ao homem.

Quanto à necessidade de justificação, estende-se a partir da queda de Adão. Com a desobediência de Adão o pecado entrou no mundo, a raça humana herdou a corrupção do pecado e, conseqüentemente, o homem é injusto desde seu nascimento (Sl 51.5; Gn 8.21). Assim, o homem é incapaz de agradar a Deus e fazer sua vontade (Rm 8.7-9). Além do mais, o pecado atrai a ira de Deus. Sua ira requer juízo e a justificação impede que esse juízo seja executado. Assim como o pecado de Adão foi imputado à humanidade, a justiça de Cristo é imputada ao homem. Assim, a justificação é necessária porque o homem é incapaz de adquirir sua própria justiça, ele é injusto por natureza.

Quanto ao meio pelo qual o homem se apropria da justificação, Paulo afirma que é somente pela fé. Não é por intermédio de obras. De outro lado, deve-se ter muita diligência para não cair no erro de ter a fé como fonte ou fundamento da justificação, pois a fé em si mesma não justifica, é apenas um receptor. A fonte da justificação é Deus e Sua justiça e o fundamento é a cruz de Cristo. O homem não é justificado por causa de sua fé, pois, se assim for, a fé deixa de ser um meio para ser uma obra meritória. A justiça de Cristo é suficientemente perfeita e exclui qualquer complemento.

Portanto, considerando que somos justificados pela fé em Cristo Jesus, somos livres para servir a Deus, sem medo de sermos rejeitados por Ele. Temos livre acesso ao trono da graça em liberdade de consciência. Somos justificados, somos livres.

 

           Publicado no Jornal Aleluia de maio de 2007


 


O que você gostaria de fazer?

Registrar seu comentário
sobre o presente artigo

Ver informações para subscrição
de assinaturas do Jornal Aleluia

Direitos autorais

Este artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação sem autorização formal da Editora Aleluia.