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O homem sempre mentiu,
mas parece que os tempos atuais poderiam
ser definidos como dias de muitas mentiras e enganos.
Dias em que o príncipe das trevas domina
a mente de muitas pessoas,
dias em que o espírito de Barjesus (At 13: 6-11)
determina a fala e as idéias dos indivíduos,
dias em que o pai da mentira (Jo 8: 44)
aumenta a quantidade de filhos.

Sempre participo de debates sobre diversos temas na emissora de rádio de minha cidade. O último foi sobre a mentira. E gostaria de compartilhar algumas ideias a esse respeito com os leitores.
 

 A verdade liberta da mentira

O que é a mentira? O Dicionário Aurélio diz que é o ato de mentir, impostura, fraude. Nisso implica tudo aquilo que engana os sentidos ou o espírito. Pela Bíblia, sabemos que a palavra enganosa é apenas uma forma de mentira, porque ela é um reflexo do que já está instalado dentro da pessoa: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem”, Mt 15: 18. É incrível como certos indivíduos não têm a menor dificuldade de conversar, falar, pregar ou testemunhar sobre aquilo que não existe ou nunca existiu.

O tempo faz a pessoa adquirir muitos costumes que acabam por denunciá-lo. O mentiroso é falso, desleal e traiçoeiro. Um bom observador não cairá nas artimanhas produzidas por esse cidadão, quer seja no comércio, na vida social, política ou religiosa: “Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os teus preceitos”, Sl 119: 100.

As publicidades enganam os sentidos. Elas tentam passar a ideia de que precisamos de algo, mas na verdade estão divulgando o supérfluo. Fazem isso para forçar-nos a gastar nosso dinheiro, adquirindo aquele produto. Há conhecidos ou colegas que tentam levar o cristão a participar de certos eventos que irão direcioná-los para uma vida de pecado. Até parece que o mundo traz mais felicidade eterna do que a vida cristã. Há pregadores que sabem colocar uma mentira teológica na mente dos ouvintes, como se fosse uma verdade bíblica. Por isso, o estudo e a leitura da Bíblia são diretrizes seguras para nos permitir prosseguirmos firmes nos caminhos celestiais, sem nos desviarmos nem para esquerda, nem para a direita.

O cristão não pode usar a prática da mentira porque já foi liberto do reino das trevas: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, João 8: 32. Sem o conhecimento de quem verdadeiramente é Jesus é impossível haver libertação porque a verdade bíblico-teológica é o próprio Jesus. Ele afirmou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, Jo 14: 6. Os anos de vida cristã devem direcionar o cristão para a maturidade, ao ponto de não se envolver com mentiras e, sim, com a santidade diária no falar, no pensar e no agir.
 

Deus fez as suas leis

Vivemos tempos de crises no comércio, na indústria, na política administrativa do país, envolvendo o Congresso Nacional, com suas CPIs. Homens que governam o país são contrários à realidade, opostos à verdade e, o que é pior, são eles que fazem as leis do Brasil. O ser humano herdou o pecado de Adão. Por isso, o egoísmo está sempre presente nos momentos de tomar decisões. Cientistas políticos falam constantemente que, em Brasília, certas medidas sempre são tomadas para beneficiar políticos e a uma classe especifica da sociedade.

A vivência eclesiástica mostra que, mesmo no meio do Cristianismo, há muito descaso e mentiras. Dá para deixar qualquer crente pasmo da vida: “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos”, Pv 6: 16-19. Uma tomada de posição diante de Deus levaria o cristão a ser mais honesto e verdadeiro diante da vida.

As leis e os princípios bíblicos foram feitos por Deus e passados para a humanidade através de seus santos escritores. A obediência a esses preceitos tem de ser levada muito a sério por quem aceitou a Jesus e persevera no caminho proposto pela Bíblia. Essa questão não é brincadeira.
 

O tribunal de Deus julgará cada um

Para o dia-a-dia, o Senhor sempre aponta qual o melhor caminho a seguir para uma vida integra, sem falsidades, sem mentiras e honesta diante dos homens e diante de Deus. O ser humano tem o direito de fazer sua escolha e a responsabilidade de assumir as conseqüências. Mas há o outro lado dessa questão, o da desobediência aos preceitos, que é algo muito sério, pois se dirige àqueles que não terão direito à vida eterna.

Estamos falando sobre a mentira, mas é claro que há certas situações da vida que exigem bom senso. Por exemplo: se uma mãe, mesmo sendo crente, ao abrir a porta de sua casa, e vier a encontrar alguém com arma em punho para matar seu filho, ela jamais o entregará. Pelo contrário, vai logo dizendo que seu filho está muito longe. Bom senso implica na aplicação correta da razão para julgar ou raciocinar em cada caso particular da vida. Há certos momentos que a falta de bom senso pode provocar grande destruição.

Esse princípio não vale para aqueles que são chamados de “homens de Deus” ou “mulheres de Deus” e mentem por qualquer coisa, prejudicando os outros. Há corações que traçam projetos iníquos: “porque o seu coração maquina violência, e os seus lábios falam para o mal”, Pv 24: 2. Por isso, todo cuidado é pouco.

Por exemplo, uma obra social exige cautela. Há tanta gente que precisa disso. A mentira e a falsidade podem levar uma pessoa a colher resultados indesejados. Não se esqueça de que as duas bases do trono de Deus são justiça e juízo, Sl 97: 2.

Todos prestarão contas de suas atitudes e palavras enganosas diante de Deus, seja você um membro, obreiro(a), presbítero ou pastor. As pessoas que foram enganadas por você trarão dificuldades para sua vida. A lei da semeadura e da colheita é real e será aplicada a todos. Aqueles que foram honestos e perseveraram no caminho reto terão muito que se alegrar na presença do Senhor: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”, Ap 22: 11-12.

 Conclusão

O debate honesto sobre algum assunto pode levar a descobertas não feitas antes. A boa reflexão edifica e, muitas vezes, nos leva a pensar em muitas questões da vida. A mentira é uma delas. Quantos pensam que uma ‘mentirinha’ não faz mal a ninguém, mas na Bíblia aquilo que é contrário à verdade é sempre mentira. Pensemos em quantas pessoas podem ser prejudicadas com uma inverdade e quantas podem ser beneficiadas com a verdade.

....................

Geraldo Gabriel de Souza é pastor da IPRB desde 13/12/1997.
Detentor do prontuário número 819.
Pastor da 2ª IPR de Ipatinga, MG.
Artigo p
ublicado no Jornal Aleluia de agosto de 2006.
 

Direitos autorais

Este artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação
sem autorização formal da Editora Aleluia.
 

   Comentários dos leitores


Do Pr. Fabiano Cardoso
Igreja Presbiteriana Renovada
Luziana, PR

A mentira é uma armadilha que destrói nosso relacionamento com Deus. Muitos cristãos mentem para esconder pecados que cometeram. A Bíblia declara que Deus é onisciente, ou seja, tem conhecimento de todas as coisas. Nossas atitudes são conhecidas por Deus, mesmo se fizermos com total destreza para que nenhuma pessoa saiba. Mas nosso Pai sabe.
Portanto, as atitudes do cristão devem sempre resplandecer a santidade de Deus, evidenciando a salvação de Jesus Cristo em sua vida.

 

Do Pr. Francisberto Feitosa da Silva
IV Igreja Presbiteriana Renovada
Ipatinga, MG

Vale a pena ressaltar que o tema deste artigo é muito importante, porém pouco observado em nossos dias. Estamos cercados de mentiras, mentirinhas e mentironas. Mas sabemos que todas têm o mesmo efeito de pecado para o nosso Deus. É bom saber, ainda, que Deus e a própria sociedade não avaliam um homem pelos seus bens e tampouco pela sua estatura, mas sim pelo seu caráter e pela sua palavra.
Louvamos a Deus pela vida do pastor Geraldo Gabriel, presidente do Prevaço, pelo seu testemunho e, principalmente, pelo seu caráter. Ele tem sido um espelho para todos nós.

Do Pr. Wanderson Franco
Igreja Presbiteriana Renovada
Pirassununga, SP

O presente artigo se mostra um precioso alerta para os cristãos que passaram a racionalizar o pecado. O assunto fora abordado com profícua elucidação bíblico-teológica. Tenho certeza de que conduzirá inúmeros servos de Deus a reavaliarem seus valores, e a entenderem que o Senhor jamais comungará com o pecado de ninguém.
Sendo assim, nossos conceitos de verdade não passam de mentiras, e a prevalência maior sobre a verdade deve estar pautada numa vida de militância e incessante perseverança em se seguir os passos de Cristo, o Rei da verdade absoluta. Em suma, os que estão na essência de Cristo são e possuem a verdade.
 

Do Pr. José de Assis Neres de Azevedo
Igreja Presbiteriana Renovada
Petrolina, PE

Eu particularmente achei ótimo o seu artigo. Escrito com muita sabedoria. Serve para acordar a igreja, porque somos pregadores da verdade, e da verdade que liberta. Temos a luz que dizima as trevas. Sim, esse artigo muito me edificou. Vou indicá-lo para outros. Que Deus o abençoe, Pr. Geraldo.

 

Página atualizada em 11/09/2011