100
anos de avivamento da Rua Azusa! É verdade,
comemoramos em 2006 cem anos de avivamento
pentecostal, de um intenso derramar do Espírito
Santo, de um movimento que redirecionou a igreja,
transformou vidas e mudou rotas. E até hoje é
referencial para toda igreja de Cristo. O ser humano
sempre precisou ser alcançado por Jesus e os
cristãos, avivados pelo Espírito Santo.
A
história do Cristianismo mostra que grandes
pregadores surgiram em todos os lugares e foram
responsáveis por manter a chama do avivamento acesa.
Eles pregavam para um número tão grande de pessoas
que muitos cultos foram realizados ao ar livre. Os
templos não comportavam a multidão. A ênfase das
mensagens era sobre a santidade de vida e o
compromisso com Deus e sua palavra. Eles impactaram
a vida espiritual de pessoas. Vejamos alguns desses
nomes e suas obras.
Jonathan Edwards (1703 - 1758)
Edwards entrou para a
Universidade de Yale e concluiu sua formação em
teologia aos 17 anos (1720). Foi ordenado em
Nortampton, no Oeste de Massachussetts. Pastor da
Igreja Congregacional, desenvolveu seu ministério
como missionário no meio indígena. Foi o primeiro
presidente da Princenton University. Como escritor,
um de seus sermões mais conhecido foi “Pecadores na
mão de um Deus irado”, que foi precedido por três
dias de oração e jejum. Seu trabalho de avivamento
alcançou as treze colônias norte-americanas e chegou
até na Inglaterra.
O hábito de ler seus
sermões fazia parte de sua vida, mas o que realmente
impactou o seu povo foi sua vida devocional porque
se acostumou a passar até 13 horas ao dia entre
oração e estudos. Escolher uma floresta e ali ficar
duas ou três horas com o rosto em terra, clamando a
Deus, fazia parte de sua vida com o Senhor. Depois
de concluir seu ministério de avivalista, partiu
para as mansões celestiais em 1758, em Princeton,
vitima da febre resultante da vacina contra a
varíola.
John Wesley (1703-1791)
A
Igreja Anglicana ordenou Wesley ao pastorado em
1728. Seu estilo de pastoreio influenciou
profundamente o Cristianismo inglês, onde tudo
começou, e o norte-americano, no século XVIII. O que
mais chamava a atenção era sua vida piedosa e o seu
método de estudo bíblico. Gradativamente, as pessoas
observavam que ele era muito metódico e não mudava o
seu jeito de ser. Por isso, ganhou o apelido de
“metodista”. Com o tempo, fundou seu próprio
movimento avivalista, que recebeu o nome oficial de
Metodista.
Foi
missionário nas 13 colônias norte-americanas e, com
o tempo, ficou decepcionado com os resultados de seu
trabalho. Então, decidiu voltar para a sua terra
natal: a Inglaterra. No navio, encontrou dois
cristãos pertencentes ao movimento moraviano. Suas
experiências tiveram grande influência sobre a vida
de Wesley.
Sua
vida devocional mudou e, conseqüentemente, os
resultados de sua pregação. A ação do Espírito Santo
fez com que multidões compostas de cinco e até de
dez mil pessoas ouvissem a Palavra de Deus através
de sua boca. O toque do Senhor era tão forte na
consciência dos indivíduos que muitos eram tomados
pelo sentimento de angústia e gritavam e gemiam como
arrependimento pelos seus pecados. A idade nunca foi
um empecilho em seu ministério. Aos setenta anos,
chegou a falar para um auditório de trinta mil
pessoas. Aos oitenta e seis, pregou ao ar livre na
Irlanda seis vezes ao dia. Anunciou as Escrituras
Sagradas em sessenta cidades.
Charles G. Finney (1792-1875)
Finney só teve sua experiência de conversão aos 29
anos, mas depois foi uma pessoa profundamente
dedicada ao movimento avalista. Ele não deu descanso
ao seu corpo e, de 1824 a 1834, trabalhou fortemente
para que Deus visitasse a igreja com um grande
avivamento. Por causa desses esforços e desgaste
físico na obra de Deus, ficou enfermo e foi obrigado
e passar por período de repouso. Finney não parou
por aí. Em 1835, passou a dar aulas de teologia no
Oberlin College. Com o tempo, assumiu a presidência
da instituição. O tempo de trabalho prático e
teórico lhe deu experiência o suficiente para
escrever uma extensa obra sobre Teologia
Sistemática.
Deus sempre o utilizou para realização de milagres.
Por exemplo, em uma visita a uma fábrica, uma
senhora zombou de dele. Por ser um servo de Deus,
não reagiu. Apenas olhou em seus olhos e foi embora.
Passado alguns momentos, convencida de seus pecados,
ela estava chorando com o desejo de entregar-se a
Jesus.
Em
viagem de trem, passou por um povoado e os
indivíduos que estavam em locais imorais, foram às
pressas para as igrejas porque estavam sentindo o
peso e o remorso pelos seus pecados. Um repórter
chegou a investigar sua vida com o objetivo de
descobrir o segredo de seu sucesso, mas ficou
espantado ao vê-lo entrar em uma floresta e passar
horas e horas prostrado com o rosto no chão, em
sinal de humilhação para com Deus. As estatísticas
mostram que 85% das pessoas que aceitaram a Jesus
através das pregações de Finney permaneceram firmes
em servir a Deus, enquanto a média dos demais
pregadores era de 30%.
Charles H. Spurgeon (1834-1892)
Spurgeon é de origem espanhola, mas por causa das
perseguições promovidas pelo Rei Filipe II, no final
do século XVI, sua família foi obrigada a mudar para
a Inglaterra. Em Cambridge, aos 17 anos, aceitou a
Jesus como seu salvador e também o chamado para
trabalhar na seara do Mestre. Inicialmente, aceitou
o ministério da pregação leiga, isto é, sem formação
teológica.
A
facilidade que tinha para falar sobre a Palavra de
Deus na Comunidade Batista em Cambridge fez com que
sua fama crescesse e, aos dezessete anos, foi
ordenado ao pastorado. Aos vinte, já era conhecido
na Inglaterra como “o menino pregador”. Por causa
disso, em Londres, tornou-se hábito ler seus
sermões, que passaram a ser impressos.
Spurgeon foi considerado o “Príncipe dos Pregadores”
e fundou um Colégio de Pastores. Desde o início até
a sua morte, treinou cerca de 900 pregadores.
Faleceu em 1892. Em seu caixão, foi colocada a
Bíblia aberta no texto usado para convertê-lo:
“Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os
confins da terra; pois eu sou Deus, e não há outro”,
Is 45: 22.
Dwight Lyman Moody (1837 - 1899)
Moody nasceu a 05 de fevereiro de 1837, o sexto
entre nove filhos. Seu pai faleceu quando era ainda
pequeno. Em Boston, no fundo da sapataria em que
trabalhava, seu professor da EDB o desafiou a
aceitar Jesus e ele tomou a decisão salvadora. Em
1871, Deus colocou um forte desejo em seu coração de
ganhar almas para Cristo. Por isso, em 1873, ele e
Ira D. Sankey iniciaram uma missão evangelística na
Inglaterra. Depois, foram para a Escócia e, então,
um grande avivamento foi espalhado através deles.
Ele
fundou escolas e um Instituto Bíblico, em Chicago.
Associação Cristã de Moços sempre recebeu grandes
donativos levantados por Moody. Realizou varias
conferências para ministros, estudantes e obreiros
cristãos. Pregou seu último sermão no dia 22 de
dezembro de 1899, para uma audiência de 15.000
pessoas.
Willian Joseph Seymour (1906)
O
avivamento da Rua Azusa afetou profundamente a
história do Cristianismo contemporâneo e o
personagem principal foi o pastor William Joseph
Seymour. Tudo iniciou num pequeno armazém, na cidade
de Los Angeles, na Rua Azusa, número 312.
Ele
era caolho, analfabeto e negro. Suas mensagens
sempre tratavam da regeneração, santificação, cura
divina e batismo no Espírito Santo, com a evidência
do falar em outras línguas. A unção do Espírito
Santo era derramada sobre as pessoas, que
manifestavam convicção pelas verdades bíblicas,
sincero desejo de ter uma vida santa. Elas eram
batizadas com o Espírito Santo, falavam em novas
línguas, profetizavam e cantavam hinos espirituais.
Esse evento ganhou espaço nos noticiários da cidade
e, com o tempo, espalhou-se pelo mundo. O movimento
pentecostal produziu, através de Seymour, uma
experiência similar ao livro de Atos capítulo dois.
Inicialmente, sua igreja enviou missionários para
vinte e cinco países.
Conclusão
Homens de Deus sempre foram usados, no decorrer da
história do Cristianismo, para renovar e avivar a
obra do Senhor. O movimento pentecostal de 1906 foi
um marco no mundo espiritual das igrejas e continua
a avivar o Cristianismo em 2006. O cristão não pode
se esquecer de que Deus é o mesmo de ontem, hoje e
anseia derramar mais do Seu Espírito sobre todos os
seus filhos. Quero encorajar o leitor a buscar mais
do Espírito Santo de Deus, a experimentar um genuíno
avivamento e a ser usado pelo Senhor na igreja local
para avivar a sua obra.
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O Denisart de Almeida
Júnior é pastor da IPRB, à frente da 2ª IPR de Foz
do Iguaçu
Artigo publicado no Jornal Aleluia de setembro 2006
Página inserida no site em 05/04/2008
Atualizada em
07/06/2010