170 artigos
completos,
 classificados
por temas, títulos
e autores para
você ler, estudar
ou copiar.

O que há de novo no site    |     Estudos bíblicos      |       Reflexões      |      Jornal Aleluia      |      Página inicial

 

          Artigos

  Recentes
  Por autor
  Por temas
  Por títulos
  Página de fotos
  + artigos do autor
 

Saiba mais

 Agenda Virtual
 Biografias
 Enquete
 Estatística
 Fale conosco
 Fotos
 História IPRB
 Igreja para novos
 Língua Fácil
 Loja Virtual
 MISPA informa
 Pensamentos
 Reflexões
 Secr. Central
 


Comentários

Homens que ousaram mudar a história


Pr. Luiz  Márcio Longo

Terra Rica, PR

 

Mudar a história não significa retroceder ou alterar o passado, nem escrever algo diferente daquilo que já fora escrito. Muitos gostariam de poder fazer isso, pois a história dos homens não tem sido a das melhores. Sempre foi escrita com respingos de sangue, violência, roubos, atrocidades, desrespeito, indiferença, farisaísmo e mediocridade. Entretanto, há um meio sim de mudar o curso da história. E isso nos alegra o coração. Tais mudanças foram feitas por homens que ousaram tomar atitudes em meio às situações mais críticas, nas épocas mais complexas da vida moral, social e espiritual, e impuseram rumos novos para a barca da nossa história.

Ao olharmos para esfera espiritual, percebemos que também nessa área a história sempre sofreu mutações, porque homens, movidos pelo Espírito de Deus, não se conformaram com a situação que vinha sendo vivida pelo seu povo e decidiram proclamar uma saída, pagando o preço. A Bíblia fala de Abraão, Isaque, Jacó, José do Egito, Moisés, Josué, Gideão, Samuel, Davi, Neemias, Jeremias, Jesus Cristo. Esses e tantos outros foram homens que conseguiram escrever uma nova história. É possível que você também tenha mudado o rumo de sua história pessoal, quando aceitou a Jesus como seu salvador ou quando definiu um rumo seguro para sua fé.

 O não-conformismo gera mudanças

Todas as vezes que homens curvaram sua cabeça e se conformaram com o que estava sendo imposto sobre eles, houve sofrimento. Os sofrimentos quase sempre estão condicionados às nossas atitudes de passividade. Precisamos saber que, quanto à fé, somos livres para ler a Palavra e reconhecer nela os princípios de vida. O livre-exame é uma conquista do protestantismo e que se aplicou à política e às ciências. E daí o progresso da humanidade.

Embora poucos, alguns homens ousaram mudar a história por não se conformarem, não aceitarem aquilo que estava estabelecido, mas foram além em busca da verdade. Homens que não se contentaram com o que seus olhos contemplavam, homens que se sentiram agredidos em sua inteligência e se dispuseram, para estabelecer melhores rumos, a enfrentar tudo: reis, clero, burguesia, prisões e até o inferno.

Homens que não se conformaram com a história que estava sendo imposta sobre a igreja do Senhor Jesus Cristo. E, cheios de ousadia e fé, acabaram abrindo novas vias na história da humanidade e da igreja. Homens como: John Wycliff (1324-1384), João Huss (1369-1415, Martinho Lutero (1483-1546), Calvino (1509-1564) e Ulrich Zwinglio (1484-1534)... Homens que não se conformaram com indulgências, com silogismos, nem com a forma distorcida como era difundido o evangelho aos menos favorecidos, proibindo-se-lhes até mesmo de ler a Bíblia.

Outubro, quando comemoramos do “dia da reforma”, tem sido propício para relembrar estes nomes que tanto contribuíram para que hoje tivéssemos a oportunidade de conhecer um Deus que não vende salvação, um Deus que não vende milagres. Na verdade, muitos destes homens perderam tudo: esposa, filhos, parentes e até a vida, porém, movidos pelo Espírito Santo, não se importaram, porque o desejo de seus corações é que chegasse às gerações futuras uma história embasada na verdade.

 A consolidação da mudança na história

Foi o não-conformismo que levou Lutero, no dia 31 de outubro de 1517, a fixar na porta da catedral de Wittenberg, as noventa e cinco teses que refutavam as práticas absurdas e abusivas da Igreja Católica. Esta data tornou-se o marco de uma reforma que já havia começado bem antes com homens que, dentro de seu contexto, também não se conformaram e ousaram mudar a história, não permitindo que o evangelho se estagnasse.

O movimento reformista do século XVI se alastrou por todo o mundo, dando vazão ao desejo do povo por liberdade religiosa: Alemanha, Escócia, Dinamarca, Suíça, França, Noruega... E chegou ao Brasil em 1557, quando fora celebrado o primeiro culto protestante. Este primeiro culto evangélico em solo brasileiro foi celebrado no dia 10 de março de 1557, por protestantes franceses. Eles chegaram à Baía de Guanabara, fugindo da perseguição em seu país, e à procura de uma nova pátria. O pregador baseou-se no Salmo 27:4: “Ao Deus Eterno peço somente uma coisa: que Ele me deixe viver na Sua casa todos os dias da minha vida, para sentir a Sua bondade e pedir a Sua orientação”. O culto foi dirigido pelo pastor Pierre Richier - (Fonte: http:// textosdareforma.net).

Estes homens estavam convictos, por isso ousaram mudar a história, e em toda parte do mundo havia focos da reforma protestante que, apesar da resistência católica, manifestada nos atos da inquisição, ainda assim, permanecia vivo no coração daqueles homens o ardor da verdade e do desejo por mudanças.

No Brasil não foi diferente. No ano seguinte chegaram as perseguições e os missionários foram obrigados a planejar sua volta para a França. Embarcaram num velho navio chamado Jacques, em 04 de janeiro de 1558. Mas, depois de sete ou oito dias de viagem, o navio começou a fazer água. Correndo risco de afundar, para diminuir peso, cinco missionários resolveram voltar para a Baía de Guanabara. Eram eles: Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André la Fon e Jean Jacques le Balleur.

Em terra, tiveram de enfrentar a crueldade de Villegaignon que procurava motivos para condená-los à morte. No propósito de condená-los, Villegaignon elaborou um questionário com perguntas controvertidas e pediu respostas aos missionários. O pedido foi feito no dia 08 de fevereiro de 1558, com prazo de doze horas para resposta. A resposta foi a 1ª Confissão de Fé do Continente Americano. Esta Confissão foi tomada como prova de acusação. Villegaignon, no dia 9 de fevereiro de 1558, mandou prender e martirizar os quatro missionários que subscreveram. Apenas Jean Jacques le Balleur não subscreveu a Confissão, tendo fugido para São Vicente (São Paulo), escapando da morte naquele momento.

 Eles lutaram e a fé cristã venceu

Em 1591, chegaram oficialmente ao Brasil os tribunais da Santa Inquisição. A Inquisição se instalou no Brasil em três ocasiões: em 09 de junho 1591, na Bahia, por 3 anos; em Pernambuco, de 1593 a 1595; e novamente na Bahia, em 1618.  Todos os que confessavam não crer nos dogmas católicos eram sentenciados. Praticamente a metade dos prisioneiros brasileiros, novos convertidos, eram mulheres.

Na Paraíba, Guiomar Nunes foi condenada à morte, na fogueira, em um processo julgado em Lisboa. A Inquisição interferiu profundamente na vida colonial brasileira durante mais de dois séculos. Um dos exemplos dessa interferência era a perseguição aos descendentes de judeus. Os que estavam nesta condição podiam ser punidos com a morte, confisco dos bens ou, na melhor da hipótese, ficavam impedidos de assumir cargos públicos.

Segundo historiadores, 1761 foi o fim da inquisição católica no Brasil. Com isto chegam ao Brasil os primeiros luteranos, os metodistas e, em dia 12 de agosto de 1859, chega o primeiro missionário presbiteriano, pastor Ashbel Green Simonton, ao Rio de Janeiro, que funda a Igreja Presbiteriana.

Quarenta e quatro anos mais tarde, surge a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB), fundada pelo Carlos Pereira, em São Paulo. E, no dia 08 de janeiro de 1975, consolidou-se a formação da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, igreja esta que teve seu nascedouro na fusão das Igrejas Cristã Presbiteriana e Presbiteriana Independente Renovada.

Concluindo, podemos dizer que o movimento reformado e as correções históricas ao longo dos anos chegaram até nós. Isso nos lembra a responsabilidade de manter acesos o ardor e a chama no coração e na mente desses líderes e, se preciso for, ousarmos também mudar a história.
                         

 Publicado no Jornal Aleluia de outubro de 2006
 

Direitos autorais

Este artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação sem autorização formal da Editora Aleluia.

   Comentários dos leitores
 

Do Pr. José de Assis Neres de Azevedo
IPR de Petrolina, PE

Estamos precisando de homens ousados nos dias de hoje para um reavivamento na igreja brasileira. Não estou conformado. Precisamos de mudanças. Homens corajosos, que façam a diferença como verdadeiros avivalistas. Que sejam ganhadores de almas. Precisamos de homens que orem.

De Iris Márcia Gouveia Murari
Assis, SP

Obrigada. Por meio desse artigo, podemos manter acesos o ardor e a chama no nosso coração e mente. Amo aos mestres de Deus que escrevem sob inspiração.

De Cláudio Henrique Lima de Melo
Passos, MG

Nos dias hodiernos, necessitamos refletir sobre os mecanismos que cerceiam a propagação do evangelho. Um dos exemplos mais eloqüentes é o recente trabalho holywoodiano sobre a reforma que terminantemente não passa em nenhum canal aberto e, em tese, deveria ser estudado em todas as igrejas evangélicas.