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A tristeza, apesar de dolorosa,
é uma capacidade humana necessária e boa,
que exerce funções protetoras semelhantes à dor,
pois permite adaptação às variações
internas (emocionais) e externas (circunstanciais).
É ela que nos alerta que existe algo
de errado em nós, ou ao nosso redor;
algo que precisa ser corrigido.

 

Há algum tempo, li, na Universidade, um artigo sobre Psicologia, escrito pelo psiquiatra Oswaldo Milton di Loreto. O título do artigo era muito curioso: “Em defesa do meu direito de ser triste”. Trata-se de uma crítica quanto à prescrição e ao uso abusivo de medicamentos psicofarmacológicos, tais como antidepressivos e ansiolíticos, chamados ironicamente pelo autor de “pílulas de alegria”.

Esse autor demonstra que estamos vivendo um momento em que não mais se tolera a frustração, o sofrimento, a ponto de os números comprovarem que o Prozac (antidepressivo) está sendo mais vendido que a Aspirina (analgésico). Isso é terrível, pois mostra que toda e qualquer tristeza está sendo combatida a qualquer custo. O autor explica: “a tristeza é um presente que recebemos [...]. É ela que nos poupa de, alegremente, comemorar a perda de um amigo ou a perda dos dedos da mão”. Em suma, ela não nos deixa ser absurdos ao que acontece em nossa vida!

De fato, a tristeza, apesar de dolorosa, é uma capacidade humana necessária e boa, que exerce funções protetoras semelhantes à dor, pois permite adaptação às variações internas (emocionais) e externas (circunstanciais). É ela que nos alerta que existe algo de errado em nós, ou ao nosso redor; algo que precisa ser corrigido.

Entretanto, vê-se, inclusive nas igrejas, uma verdadeira guerra contra qualquer tipo de tristeza. Ligo a TV em programas evangélicos, e o que vejo... A.A. Não, não são os Alcoólicos Anônimos, mas a Auto-Ajuda! A audiência é mais importante que Jesus. Tudo bem. Concordo que é melhor assistir a estes programas do que assistir outras programações. Contudo, onde está o verdadeiro Evangelho? Sim... Aquele que me leva a ficar TRISTE e repensar a minha vida ao enxergar o quanto estou distante daquilo que Deus espera de mim?

Parece que temos medo de pregar a verdade de Deus, que é uma só! Temos medo de que as pessoas fiquem tristes, ou machucadas ao enxergarem áreas de suas vidas que precisam ser mudadas. As características do público modificam a pregação, quando, na verdade, deveria ser exatamente o contrário: a pregação é que deveria mudar as características do público! Não quero dizer, com isso, que devemos pregar de um modo agressivo, “usando a marreta”, mas com amor e sabedoria.

Chega de tanta auto-ajuda! Chega de tanta psicologização! Nem os psicólogos falam tanto de Psicologia assim! Na TV, nos livros, nas revistas, nas conversas, tudo o que se vê é a tal da PPP - Psicologia do Pensamento Positivo. Diante disso, tomo a liberdade de fazer um pedido: por favor, permitam-me ficar triste!

A tristeza é um mal necessário para nos fazer refletir e levar-nos ao arrependimento dos pecados. Não estou falando daquela tristeza doentia, depressiva, mas da tristeza que o Espírito Santo nos causa, a tristeza de reconhecer nossos erros, as nossas falhas para que possamos corrigi-las. A Bíblia fala: “A tristeza segundo Deus opera o arrependimento... mas a tristeza do mundo opera a morte”, 2Co 7: 10.

Devemos desenvolver uma mente positiva. Porém, não de um modo desconexo com a realidade. Uma pessoa, por mais positiva, progressista e cheia de fé que seja, ainda assim passará por momentos difíceis, angustiantes e, sem dúvida, irá se entristecer, Jo 16: 33. É uma questão de sobrevivência! Bendita a tristeza, que nos faz chorar com os que choram e que nos faz ter compaixão pelas almas que estão se perdendo! Bendita seja a tristeza que nos faz ser participantes das aflições de Cristo e que nos faz crescer e amadurecer espiritualmente!

Por fim, confesso que estou triste. Triste com a PPP, com a AA., com a CPI, com o RBD (e quem não está?), e com muitas outras coisas, afinal, o mundo nos aborrece. Entretanto, agradeço a Deus até pela tristeza, agradeço mesmo, pois só ela me faz perceber o imenso valor da felicidade!

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O Dr. Flávio Augusto é psicólogo.
Membro da 1ª IPR de Maringá, PR.
Artigo publicado no Jornal Aleluia de junho de 2007.
 

 

Direitos autorais

Este artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação
sem autorização formal da Editora Aleluia.

 

Página atualizada em 18/09/2011