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Os cristãos reformados têm um grande desafio
para nossos dias: manter sempre,
diante do coração e da mente, os motivos
propulsores da Reforma Protestante do século XVI,
como a questão das indulgências
(compra de perdão dos pecados),
a idolatria, as relíquias, a infalibilidade papal,
entre tantos outros dogmas e princípios.

 

Podemos lembrar que, ao inspirar os reformadores a darem início ao movimento, o Espírito Santo tinha como objetivo principal a saúde espiritual do corpo de Cristo (a Igreja), que havia se desviado completamente do seu chamado original, Mateus 28: 19-20, e estava trilhando caminhos opostos ao “Ide” de Jesus.
 

 A necessidade de estudar os princípios da reforma

O mundo latino conheceu as expressões doutrinárias: Sola Scriptura (Somente a Escritura), Solus Christus (Somente Cristo), Sola Gratia (Somente a Graça), Sola Fide (Somente a Fé) e Soli Deo Gloria (A Deus somente a glória). Mas muitos podem perguntar se há relevância em estudar essas questões nos dias atuais. A resposta está no fato de que muitos dos problemas daquela época estão bem presentes em nossos dias, e no meio evangélico.

Vejamos, por exemplo, o evangelho pregado por algumas denominações neopentecostais. A ênfase está no “eu”, no “ego” de quem está ouvindo a mensagem, e não em Cristo ou em Sua Palavra. Isso contraria dois princípios da reforma: somente a Escritura e somente Cristo. A falta de conhecimento das doutrinas ensinadas pelos reformadores faz muitos líderes, pregadores e evangelistas cometerem erros desastrosos para o Cristianismo.

Um deles é o culto que deveria ser teocêntrico (Deus como centro), e se torna antropocêntrico (o centro é o homem, o ser humano), contrariando um ponto fundamental da reforma: a Deus somente a glória. Essa contrariedade se torna visível por causa da ênfase exagerada dada à prosperidade financeira ou à questão da cura divina como sendo primordiais para a manifestação de Deus.

Os cristãos reformados e renovados têm o dever de cultivar uma vida espiritual sadia e equilibrada, tendo como base a soberania de Deus. O Senhor sabe muito bem quais são as necessidades e dificuldades de seus filhos, antes de serem proferidas por nossos lábios em oração. Então, devemos orar apresentando nossas petições? Certamente que sim! Devemos crer que “tudo o que pedimos em nome de Cristo” Ele nos concederá? É claro que sim!

Contudo, nossa posição é de servos, não de senhor. Não estamos em condições de exigir nada. Qual o melhor caminho a seguir? Estudarmos a Reforma e voltarmos aos seus princípios: somente a Bíblia, somente Cristo, somente a Graça, somente a Fé e, a Deus, somente a glória. Vejamos dois deles.
 

Sola Scriptura: “Somente a Escritura”

Timothy George afirma: “Todos os reformadores estavam convencidos daquilo que Zuinglio chamou de ‘a clareza e certeza da palavra de Deus’ ...Eles eram irrestritos em sua aceitação da Bíblia como a única e divinamente inspirada Palavra do Senhor”. A Escritura Sagrada é autoridade única e também suficiente para nortear a Igreja de Cristo. Ela é a verdadeira base para se evitar os erros doutrinários da atualidade.

As experiências humanas jamais devem ser colocadas no mesmo nível de autoridade que as Escrituras, pois a Escritura Sagrada é a fonte de todo posicionamento cristão. Ela é a verdadeira base para alicerçar a fé de todo crente em Jesus Cristo: “De sorte que a fé é pelo o ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”, Rm 10: 17. A leitura da Bíblia produz conhecimento, bem-estar espiritual e um viver cristão saudável. Ela é a espada do Espírito Santo, que convence cada um do “pecado da justiça e do juízo”. As experiências espirituais servem como testemunho da ação de Deus.

As profecias, visões, revelações escritas em outros livros jamais devem assumir o lugar da Palavra de Deus e nem direcionar o caminho daqueles que seguem a Jesus. Tudo que for contrário à Palavra deve ser rejeitado: "Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”, Gl 1: 8.
 

Solus Christus: “Somente Cristo”

Cada pessoa tem o seu jeito de ser, sua personalidade, seu estilo, e cada reformador tinha seu próprio modo de transmitir as verdades sobre a centralidade de Cristo. Mas eles não abriam mão da verdade de que existe “um só mediador entre Deus e o homem, Cristo Jesus, homem”, 1Tm 2:5. Por exemplo, Zuinglio insistiu que: “Cristo é o único caminho que leva à salvação para todos os que existiram, existem e existirão” - (Timothy George. Teologia dos Reformadores. p. 310).

No decorrer da história sempre houve pessoas tentando substituir a pessoa de Jesus. Por exemplo, o Catolicismo Romano passou a prestar culto a Maria já no século V d.C., o culto às imagens, no século VIII d.C., e a canonização dos santos, no século X d.C. Instituiu também o sacerdotalismo, que colocava a salvação e a comunhão com Deus nas mãos dos sacerdotes. O pecador não mais era responsável perante Deus e sim perante o sacerdote. A Reforma faz com que Cristo ocupe o seu lugar na igreja e na vida das pessoas.

João Alves dos Santos, em As Doutrinas da Reforma, afirmou: “O que o catolicismo ensina a respeito de Cristo não é diferente daquilo que professamos em nossos credos. A encarnação, nascimento virginal, divindade, morte vicária e ressurreição são cridas e ensinadas. O problema é que a Igreja Romana não crê na suficiência e exclusividade da obra de Cristo para a salvação. Maria é erigida à posição de intercessora e até co-redentora (não oficialmente, ainda) e os santos entram também com os méritos de sua intercessão para a obra salvífica” - (www.monergismo.com).

A Bíblia é categórica em reformar a mente de seu leitor quando afirma: “E em nenhum outro há salvação; porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”, At 4: 12. As idéias, as formas de pensar e os conceitos de qualquer ser humano são mudados, reformados, quando essa pessoa passa a ler a Palavra de Deus. Ali ele entende quem merece o centro de nossa vida. Antes de ser assunto ao céu, Jesus afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”, Mt 28: 18. É imperativo conhecermos os pensamentos dos reformadores.

 Conclusão

Os dias atuais desafiam a que voltemos aos ideais dos reformadores, porque eles nada mais fizeram do que se voltarem aos ideais apostólicos: “nós perseveraremos na oração e no ministério da Palavra”, At 6: 4. Para aqueles que estão com dificuldades de aceitar uma reforma pessoal, Paulo afirma que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir com justiça”, 2Tm 3: 16. Os reformados precisam sempre estar se reformando a partir das Escrituras Sagradas. É tempo de praticar os ideais da Reforma.


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Gedison Cardoso da Silva é pastor da IPRB desde 26/11/2005..
Pastor da IPR de Curiúva, PR
Artigo publicado no Jornal Aleluia de outubro de 2006.
Inserido no site em 24/10/2008.

Página atualizada em 03/12/2010.

 

Direitos autorais

Este artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação
sem autorização formal da Editora Aleluia.

 

   Comentários dos leitores

 

De Domingos Rivera Bezerra
Igreja Presbiteriana Renovada de Manaus
Manaus, AM

Quero parabenizar o Pr. Gedison Cardoso da Silva por nos lembrar de que somos reformados, pois o presbiterianismo surge exatamente com o movimento da reforma, com João Calvino, que é, sem dúvida, um dos principais reformadores da História da Igreja. Vivemos dias onde, principalmente no Brasil, o evangelicalismo tem crescido assustadoramente, o que para muitos é bênção, mas para os crentes reformados, que aceitam nos cinco "solas" da reforma, é um grande desvio da verdade. Não podemos negociar a pregação genuína do evangelho do Reino de Deus, com ênfase nas Sagradas Escritura, em Cristo, na graça, na fé, e na glória de Deus. Parabéns. Que o Senhor Deus em Cristo o abençoe ricamente.
 

De Rodrigo de Oliveira
Igreja El-Shaddai
São José do Rio Preto, SP

Adorei muito. É uma grande reflexão sobre nossas vidas...
É um momento de pensar em muitas coisas.

Do Pr. Ezedequias Ventura
IPR de Vista Alegre
Belo Horizonte, MG

Li o artigo. É verdadeiramente o Evangelho da Graça de que tanto precisamos como Igreja. Temos um bom jornal, excelentes escritores (crentes). Temos tudo para ser uma grande Igreja. Só não somos melhores porque não queremos (é o que parece). Parabéns Rev. Gedison! Soli Deo Gloria!
 

Do Pr. Mário de Jesus Arruda
Carapicuíba, SP

Devemos reconhecer a Reforma como um movimento operado por homens falíveis, mas poderosamente utilizados pelo Espírito Santo de Deus para resgatar Suas verdades e preservar a Sua Igreja. Não devemos endeusar os reformadores nem a Reforma, mas não podemos deixá-la esquecida e nem deixar de proclamar a sua mensagem, que reflete o ensinamento da Palavra de Deus para os dias de hoje. A natureza humana continua a mesma, submersa em pecado. Os problemas e situações tendem a se repetir, até no seio da Igreja. O Deus da Reforma fala ao mundo hoje, com a mesma mensagem eterna. Devemos, em oração e temor, ter a coragem de pregá-la e proclamá-la à nossa Igreja.
 

De Valdir José Silvério
Igreja Evang. Rios de Água Viva
Ibiporã, PR

Muito edificante este artigo. Também acho que os cristão de nosso dias precisam dar mais ênfase à Reforma. Talvez nosso tempo precise de novos reformadores, além daqueles que já fizeram história.

 

Atualizada em 03/12/2010