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“Pede-me, e eu te darei as
nações
por herança,
e os fins da terra
por tua possessão”.
Salmo 2: 8.
Neste mês de outubro
estaremos pensando em missões, especialmente no 2º domingo, data em que a
Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil separou para seu “Dia de Missões”.
Assim sendo, gostaríamos de convidar todas as lideranças e membros da IPRB
para uma reflexão a respeito da vocação missionária da Igreja, com o objetivo
de repensar alguns conceitos bíblicos sobre missões. Que essa atitude nos leve
a uma conscientização cristã desse dever, e que o Espírito Santo nos mova a
uma ação real de prática evangelística junto àqueles que não foram alcançados.
Evangelizar nossa cidade,
nossos vizinhos, nossa nação, os povos da Janela 10 x 40 - os mais de 3
bilhões de pessoas dos países chamados de Cinturão de Ferro - que vivem em uma
faixa que se estende da África Ocidental até o leste da Ásia, entre 10 e 40
graus ao norte da linha do Equador; re-cristianizar a Europa e levar o
evangelho aos povos dos três grandes blocos compostos pelos muçulmanos,
hinduístas e budistas é o grande desafio da Igreja na atualidade. Diante
desses e outros desafios, a Igreja não pode se calar, Lc 19: 40.
Portanto, pregar o evangelho
é a vocação da Igreja. O mundo só conhecerá a Cristo quando o povo de Deus
conscientizar-se de que missões é uma tarefa urgente e urgentíssima. Este
fator se explica por algumas características de sua vocação missionária. E
refletir sobre os pontos relevantes dessa vocação, com vistas a repensar,
direcionar e adequar os programas da igreja local a este trabalho (missões)
seria o maior desafio do momento.
Vocação
divina
A natureza da Igreja é
divina e missionária. Deus a elegeu para que os perdidos conheçam a Jesus e
sejam salvos. Sua vocação está demarcada pelos princípios da Palavra de Deus.
Quer dizer: Sua missão neste mundo é a realidade essencial de sua existência
na terra, pois ela existe, exclusivamente, para adorar e servir a Deus, Mt 4:
11.
À igreja compete levar a
preciosa semente a todas as nações ou etnias, Mt 28: 18-20, Mc 16: 15 e At 1:
8. Portanto, é preciso considerar que a evangelização local e mundial ainda é
o âmago da vocação/ missão da igreja. Ela é a própria razão de ser da igreja.
Sua missão é compensadora, pois o próprio Deus está no comando. Não se trata
de uma incumbência eclesiástica e institucional, mas uma realidade fundamental
de nossa vida.
Fazer missões não é tarefa
imposta às agências missionárias, pelo contrário, é uma vocação/missão dada
primeiramente à igreja local, At 8: 4. A Igreja de Antioquia reconheceu esta
verdade, ao enviar os primeiros missionários, At 13: 1-3. As agências de
missões são parceiras das igrejas. Por isso, a igreja deve caminhar por este
mundo, cumprindo seu papel de ser sal da terra e luz para todos os povos.
Vocação
atemporal
A vocação da igreja, no
sentido de fazer missões ou transpor as barreiras geográficas, sociais e
culturais perpassa o tempo de sua existência, ou seja, começa com a promessa
implícita no plano de Deus para a redenção da humanidade, registrada em
Gênesis: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a sua descendência e
o seu descendente; este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”,
3: 15.
Este texto é uma profecia do
conflito espiritual entre Jesus (semente da mulher) e Satanás e seus demônios
(semente da serpente). Os estudiosos chamam esta passagem de proto-evangelho,
porque é a primeira referência bíblica alusiva ao nascimento, morte,
crucificação e vitória de Jesus sobre Satanás, sobre o pecado e sobre a morte
para salvar o perdido, Lc 19: 10.
É o prenúncio do evangelho a
ser pregado aos povos. É o discurso de Deus sobre missões. Em Gênesis 12,
temos um novo capítulo na revelação do AT sobre o propósito divino de redimir
e salvar humanidade, por meio da chamada de Abraão. Da família de Abraão
surgiria uma nação escolhida - Israel, para que os outros povos conhecessem a
Deus.
Dessa grande nação viria
Jesus, da descendência de Davi, o Salvador do mundo, em cumprimento à profecia
de Gn 3: 15. Dessa forma, Abraão cumpriu cabalmente a sua missão; Israel, por
sua vez, foi instrumento de Deus no palco da vinda de Jesus a este mundo, e os
profetas tiveram participação especial nesse grande empreendimento.
O tempo passou e as
profecias se cumpriram. A missão continuou com a Igreja Primitiva, que legou à
igreja da atualidade a continuidade da vocação/missão - de pregar as
boas-novas a todos os povos da terra.
Vocação
holística
Por fim, parece soar
estranho dizer que a vocação/missão da igreja é holística. Isto quer dizer que
ela tem necessidade, dentro de suas pretensões como agência do Reino de Deus,
de buscar um entendimento integral do ser humano. Precisa ver o homem no seu
todo. Este é um fator preponderante em missões. Todavia, a igreja, ainda, não
assimilou a necessidade de um envolvimento total no que diz respeito à
evangelização do mundo.
O seu chamado não pode ser
dicotômico, ou estar voltado apenas para a alma do ser humano, mas sua missão
tem de estar voltada para o homem total (corpo e alma), isto é, um trabalho
capaz de atingir as emoções (coração), o espírito (alma), a razão
(entendimento) e força (vontade). Somente assim o pecador arrependido e salvo
poderá amar a Deus, Mc 12: 30.
O papel da igreja não se
resume apenas ao aspecto religioso/espiritual, mas precisa ser sociopolítico.
Como sal da terra e luz do mundo, ela existe para fazer a diferença nos
diversos setores da sociedade em que está inserida, principalmente no socorro
aos menos favorecidos. Esse é o grande desafio da igreja, inclusive da IPRB.
É sabido de todos que a
injustiça social, que está patente aos nossos olhos e que a igreja tem se
afastado ou passado de largo, como fizeram o sacerdote e o levita, na parábola
do Bom Samaritano contada por Jesus, Lc 10: 25-37, é uma afronta à imagem e
semelhança de Deus. Neste aspecto, devemos reconhecer nossa omissão diante de
Deus e repensar nossas metodologias, projetos e alvos preestabelecidos.
A Missão Priscila e Áquila
(MISPA) é a grande parceira das Igrejas Presbiterianas Renovadas para fazer
missões no Brasil e no exterior. A igreja precisa saber que a MISPA existe e o
que ela faz. Orar, diariamente, por seus diretores e missionários deve ser
nossa meta. Se você não pode ir aos campos, lembre-se de que sua contribuição,
seus recursos e seu apoio vão possibilitar que outro vá em seu lugar.
De modo enfático, queremos
salientar que missões se fazem a partir das igrejas locais. É tarefa de sua
inteira responsabilidade. Que nenhuma delas se esquive de sua vocação/missão.
Dessa forma, estaremos prontos para pedir as nações (os povos) por herança e
os fins da terra por possessão. E toda a terra encherá do conhecimento da
glória do Senhor, Hc 2: 14.
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Advanir Alves
Ferreira é pastor da IPRB desde 17/08/1985. Presidente da IPRB desde 2001.
Texto publicado no
Jornal Aleluia de outubro de 2007. Inserido no site em
10/2007. Página atualizada em
11/07/2010.
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