Nenhum povo
ou qualquer segmento social sobrevive sem leis, constituições, regimes,
princípios éticos e morais.
Deuteronômio
é um livro que fala de alianças, de lei, benefícios da obediência, e da
maldição em decorrência da desobediência. A Bíblia grega LXX (Septuaginta)
dá-lhe o nome de “Deuteronomium” que significa “repetição da lei”. Sua
mensagem é pertinente a todos, em todos os tempos da história.
Principalmente na chamada pós-modernidade onde predominam certos valores
que depreciam o homem, incentivando-o à orgia e à banalidade. Para
compreendê-lo, é preciso observar dois fatos:
Contexto histórico de
Deuteronômio. Após a morte de José, aproximadamente no ano 1.780 a.C.,
surgiram várias dinastias egípcias. Levantava uma, depois outra mais
poderosa surgia e subjugava a anterior. Na 19ª dinastia, a dos Ramsés I
e II, temos os faraós do livro do Êxodo. E a Bíblia diz que esse novo
faraó não conhecia nem a José, e nem ao Senhor. Por isso escraviza os
filhos de Israel e o povo sofre por 400 anos.
Nesse tempo, Deus levanta
Moisés, um tipo de Cristo, para libertar o povo, e ser o seu legislador.
O povo sai do Egito e se dirige ao Sinai, uma caminhada de uns três
meses. Ali permanecem por um ano e, então, viajam mais 320 quilômetros,
até Cades-Barneia, fronteira de Canaã.
Mas algo estranho acontece
neste momento da história. O povo não está preparado para apossar-se da
terra e ficou mais 38 anos acampado nas planícies de Moabe, próximo ao
rio Jordão. Mas, porque Deus tirou o povo do Egito? Para ficar vagueado
pelo deserto?
Contexto teológico. O que
Javé desejava ensinar ao seu povo? Segundo o escritor e historiador Paul
Hoff, Deus tinha alguns propósitos a concretizar: “Deus colocou os
israelitas na escola preparatória do deserto a fim de que as provações
os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a terra prometida;
Deus desejava que os Israelitas aprendessem a depender inteiramente
dele; Deus conduziu-os ao deserto para prová-los se o obedeceriam ou
não”.
Com essa história toda,
podemos aprender três coisas importantes sobre a obediência:
Caminha
no temor do Senhor - v. 12a.
Obedecer não significa medo
patológico de Deus, e sim, reverência, honra, louvor, adoração. Mesmo
porque “O temor do Senhor é o principio da sabedoria”, Sl 111:
10. Obedecê-lo é um ato de sabedoria e inteligência diante das
problemáticas do dia-a-dia. O cristão e a igreja sábios não obedecem por
obrigação, mas porque sabem que Deus sempre tem os melhores resultados
da vida.
Em certa ocasião, o povo de
Israel queria ouvir a voz do Senhor diretamente e, quando Deus falou, o
povo ficou com medo. Para aqueles que estão nos caminhos divinos, a voz
divina produz refrigério na alma. Para esses a obediência significa ter
um coração aberto para Deus: “rasgai os vossos corações e não as
vossas vestes”, Joel 2: 13.
Não precisamos obedecer a
Deus por medo de ser castigados. Jesus condenou os escribas e fariseus
hipócritas porque viviam no legalismo religioso, condenando as pessoas,
mas suas vidas eram verdadeiros sepulcros caiados. Eles colocavam medo
no coração das pessoas para que elas obedecessem. Porém esse nunca foi o
melhor caminho: “obedecer é melhor do que sacrificar”, 1Sm 15:
22. A obediência sempre produz grandes e maravilhosos resultados na vida
cristã.
Faz
a vontade de Deus por amor - v. 12c.
Jesus resumiu toda a lei e
os profetas em dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas, e ao
próximo como a ti mesmo, Mc 12: 23. A obediência é a maior prova de amor
que o cristão dá a Deus: “aquele que tem os meus mandamentos e os
guarda esse é o que me ama, e todo aquele que me ama será amado de meu
pai, e eu também o amarei, e me manifestarei a ele!”, Jo 14: 21.
O amor a Deus é o resultado
de um coração convertido a Ele. Jesus, após ressuscitar, estava reunido
com seus discípulos e pergunta a Pedro: “Simão filho de João, você me
ama mais do que estes outros?”. Ele responde: “sim Senhor eu te
amo”. Jesus continua: “então apascente minhas ovelhas”. Jesus
pergunta, mais uma, e uma terceira vez, só que desta vez Pedro se
entristece.
O que há de curioso nesse
diálogo? No grego existem três palavras que são traduzidas por amor:
eros, fileo e ágape. Quando Jesus pergunta a Pedro, Ele usa a palavra
“ágape” e Pedro lhe responde com a palavra “fileo”. O Senhor deseja
saber, que tipo de amor você tem a lhe oferecer: um amor condicional às
suas realidades, às suas comodidades, da maneira que melhor lhe agrade,
ou, um amor genuíno como o amor que Deus tem a lhe oferecer?
Amar a Deus implica em
renúncias. Muitos querem amar a Deus e viver no pecado. O próprio Jesus
disse que não há possibilidades da agradar a dois senhores. Vai amar a
um e aborrecer ao outro. Você, como igreja, está disposto a obedecer-lhe
em amor? Está disposto a abrir mão da sua própria vida por amor a Deus?
“Mas Deus prova do seu amor para conosco em que Cristo morreu por
nós, sendo nós ainda pecadores”, Rm 5: 8.
É
fiel ao compromisso assumido com o Deus
Em Deuteronômio, Deus
estava dando as últimas instruções àquele povo. A geração que saiu do
Egito havia morrido, restando apenas Moisés, Josué, e Calebe. O Senhor
desejava que o povo guardasse os seus mandamentos para que fossem
abençoados. Eles deveriam ter compromisso com a Palavra de Deus.
Hoje temos visto o
pragmatismo religioso dominando o povo de Deus. Vivemos em uma geração
que anda muito ocupada e busca coisas prontas, para simplificar suas
vidas. Há crentes que deixam de ir à igreja porque é mais cômodo
assistir ao culto pela internet. Outros têm corrido atrás de “profetas”
porque já não oram, não jejuam, não buscam mais a face do Senhor. Alguns
andam atrás de “fórmulas milagrosas” para resolver seus problemas.
Onde está o compromisso com
Deus? As pessoas têm caído no engano de muitos porque lhes falta o
conhecimento de Deus e de Sua palavra: “o meu povo perece porque lhe
falta conhecimento”, Os 4: 6. Jesus certa vez advertiu os escribas e
fariseus dizendo: “errais não conhecendo as escrituras e nem o poder
de Deus”, Mt 22: 29. Não existem fórmulas, nem eficiência no sal
grosso, na folha de arruda ou na fitinha vermelha para ser liberto. A
única verdade que liberta o homem é Jesus, Jo 8: 32 e 36.
Considerações
finais
Temor, amor e compromisso!
Três marcas registradas que fazem parte de uma vida de obediência e
adoração a Deus. Como está sua vida como cristão, como servo, como
filho? Lembre-se: uma igreja que obedece caminha em temor do Senhor, faz
a vontade de Deus em amor e é fiel ao compromisso com o Senhor e sua
igreja.
....................
Émerson Pereira da
Silva é obreiro da Primeira IPR de Vila Velha, ES, atuando na
congregação de Ponta da Fruta, ES. Artigo publicado no Jornal Aleluia
de fevereiro de 2008. Inserido
no site em
14 de fevereiro de 2008. Página
atualizada em
24/07/2011
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Direitos autorais
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artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação
sem autorização formal da Editora Aleluia.
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De Marcos
da Silva Orlandi Igr. Presbiteriana Renovada Governador Valadares,MG
Quero
parabenizar o irmão Émerson Pereira da
Silva pelo excelente artigo. Nossa geração
precisa ser conscientizada de que uma vida
abundante é consequência da obediência a
Deus.
Do Pr. José Ribamar Alves de Sousa Igr. Assembleia de Deus Missão Novo Gama, GO
Fiquei muito satisfeito ao ler esta mensagem. Ela realmente vem do
entendimento do Espírito Santo. Com certeza o amado que a escreveu
estava em comunhão com o Senhor. Esta mensagem me edificou bastante.
Que Deus continue lhe dando deste entendimento para continuar
escrevendo para resgatar vidas.
De Raimundo Pereira Marinho Igr. Assembléia de Deus Araguanã - TO
Mensagem inspirada, linda, com
certeza a verdadeira realidade de nossas vidas.
De Íris Márcia Gouveia Murari Sorocaba, SP
Como é bom ter
sempre alguém com conhecimento da Palavra e que compartilha com outras
pessoas cristãs.
Do Pr. Eliezer Mendes Arari, MA
O autor foi muito feliz ao focalizar este
assunto. A obediência é algo muito relevante para os verdadeiros
discípulos de Jesus. O plano de salvação requer obediência ao Senhor.
Já no Antigo Testamento Deus fez uma aliança com Israel com base na
obediência. Mas em nossos dias há muitas pessoas que são desobedientes
às leis de Deus. Somos os agentes de Deus nesta terra e nossos sermões
devem estar focalizados na obediência ao Deus Todo-poderoso.
De Norberto Guimarães Goiânia, GO
O estudo é
esclarecedor! Vejo que o plano redentivo apresentado por Deus ao homem
e à mulher na Bíblia, de gênesis a apocalipse, tem início é
progressivo e ascensional até o Céu, passando por Cristo. Ao Espírito
atento é revelado que na Escola de Deus os crentes são preparados para
serem UM COM DEUS EM CRISTO e não eternos teóricos de Cristo. Nesse sentido a didática de Deus ensina ao crente, passo a passo, como
ser semelhante a Cristo e dominar o mal que vaza do coração humano,
com domínio precário. Em resumo apertado, vemos que o testemunho de
Caim revela o exercício do mal, na prática. A lei conscientizou o ser
da existência desse mal. O tabernáculo e o sacrifício revelaram um
modo precário de vencer o mal. O mal está dentro de cada um e Jesus
revela como vencer o mal definitivamente afirmando que somos o Templo
do Espírito de Deus e o pensamento carnal deve ser sacrificado e a
vitória está na cruz de Cristo que sinaliza a verdadeira circuncisão
no coração humano. A lei e os profetas vigoraram até João - Lc. 16/16.
O caminho e a vida não são teóricos, é o Espírito de Deus, não a
exegese, que pode revelá-los. O caminho é eficaz e os resultados são
espirituais e não horizontais. A igreja, depois de conhecer e obedecer
as Escrituras deve deixar de ensaiar (treinar) e ir a Deus e conhecer
o seu poder, deixando Deus ser Deus na vida pessoal. Outro exemplo que
o ensino bíblico é progressivo e ascensional está na afirmação de
Jesus que amar ao próximo como a si mesmo resume o Velho Testamento e
os profetas. Hoje o fundamento da vida cristã está no amor a Deus
acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. Essa conduta estabelecerá
o ambiente para a unção plena da graça de Deus. Fl. 2:13: Deus executa
em nós o querer e o efetuar. Padrão de comportamento exemplificado por
Jesus Cristo.
Do Pr. Fernando Antônio Francisco Trindade Joaima, MG
Nós, obreiros, não
podemos cansar de falar, de pregar sobre obediência. Estamos vivendo
tempos em que se afirma que nada tem importância, que os obreiros são
retrógrados e que estamos num período de evolução... E, às vezes,
vemos membros saírem para as igrejas que oferecem o lado mais fácil.
Mas, quando nos deparamos com mensagem como esta, nos vem um
refrigério pela certeza de que o Deus que agiu com um povo no período
da saída do Egito é o mesmo Deus que age nos dias atuais. A Igreja que
obedece a Deus continua Igreja avivada até a volta de Jesus. Ainda que
tenhamos poucos fiéis, o mais importante é que esses poucos são os que
vão morar com o Senhor na glória. Enfim, obediência é fator
fundamental para o verdadeiro avivamento nos dias atuais.
Do Pr. Paulo César Dantas Taguatinga, DF
Fiquei muito feliz com este estudo feito pelo amado pastor. Creio na
direção do Espírito Santo e, no meu entender, aqueles que são
avivados, cheios do Espírito Santo, falando o que Deus fala, estarão
disponíveis ao avivamento, e acharão graça aos olhos de Deus.
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