O Brasil está
envelhecendo. O aumento da população idosa em nosso país é uma realidade
visível. Estima-se que nos próximos 20 anos teremos mais de 30 milhões
de pessoas no Brasil com a idade superior a 60 anos. Possivelmente
estaremos entre as nações que mais possuam idosos do mundo. Portanto, é
tempo de abrirmos espaços que os valorizem, descobrindo as necessidades
e os desafios da terceira idade.
As Escrituras Sagradas
valorizam muito o idoso. Na cultura judaica havia grande respeito por
eles, Êxodo 3: 16-17. Em Levítico 19: 32 havia a seguinte ordem
explicita: “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do
ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor”. A elevada
consideração pelo idoso se resume no texto de Provérbios 16: 31:
“Coroa de honra são as cãs, quando se acham no caminho da justiça”.
O envelhecimento
começa a partir dos 30 anos de idade e, a cada ano, há perda de 1% das
funções orgânicas. São alterações, em seu inicio discretas, normalmente
imperceptíveis, que vão aumentando progressivamente, porém não causam
insuficiência de órgão ou sistema. O ritmo da diminuição das funções
orgânicas varia de um órgão para outro e de pessoa para pessoa. Duas
pessoas não envelhecem da mesma forma.
O envelhecimento não
pode ser encarado com pessimismo e falta de propósitos. Abraão, com
quase cem anos, viu o cumprimento da promessa divina: “E O SENHOR
visitou a Sara, como tinha dito; e fez o SENHOR a Sara como tinha
prometido. E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao
tempo determinado, que Deus lhe tinha falado”, Gn 21: 1-2.
A Igreja, como
comunidade terapêutica, é um lugar onde as pessoas e os relacionamentos
são mais importantes do que os programas ou atividades. Portanto, a
igreja pode ajudar o idoso a viver melhor, a se relacionar melhor, a ter
vida mais integrada com as outras faixas etárias, nos momentos
apropriados.
Temos condições de
desenvolver dentro das Igrejas locais vários programas que contemplam a
melhor idade em suas necessidades, considerando seus interesses e
necessidades peculiares. Isso melhorará sua auto-estima, seu
relacionamento com Deus, sua vida espiritual, sua disponibilidade para
tarefas, dentro da igreja, que condiz com sua faixa etária. Os pastores
e lideranças locais podem encorajar mais esses servos de Deus.
Devemos preservar a
auto-estima e os laços afetivos de nossos idosos, pois conhecemos um
Evangelho que é para todos os homens, sem discriminação, sem exclusão.
Este Evangelho dignifica o ser humano e traz novas perspectivas de vida.
A Igreja é o Corpo de Cristo onde todos são importantes e têm onde fazer
suas contribuições. Os dons e os talentos que Deus dá não envelhecem. Ao
contrário, convivem com a possibilidade de que o tempo de atividade
traga aperfeiçoamento. Os idosos têm importante contribuição a dar em
nosso meio: “Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e
florescentes”, Sl 92: 14.
Os irmãos da melhor
idade estão de parabéns pela vida cristã já desenvolvida dentro das
igrejas. Aqueles que um dia buscaram conselhos para vida e agora são
conselheiros da vida. Que o Senhor esteja a assisti-los todos os dias.