“E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes,
para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre
si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes”
Mateus 27: 35
Nossas vestes
falam de distinção social, autoridade, costumes, pudor, respeito, etc.
Biblicamente, elas simbolizam proteção, Gn 3: 10. Os soldados rasgaram
as vestes de Jesus. Essas nada simbolizam. Entretanto, glória,
majestade, divindade e poder são as vestes espirituais de Jesus.
O texto de Mateus
fala sobre “as vestes de Jesus”. Parece ser um tema polêmico e de
difícil interpretação. No entanto, observe com atenção que, no momento
em que Jesus morria pela humanidade na cruz do Calvário, os soldados
tiraram as vestes dele e as repartiram entre si.
Fazendo uma
aplicação, veremos que não tem sido diferente nos dias de hoje, pois
estão tirando e repartindo as vestes de Jesus, ou seja, estão
distorcendo as doutrinas cristológicas, ferindo os princípios bíblicos,
distanciando muitos da fé cristã ou deixando-os no caminho da dúvida.
Vejamos com que
vestes espirituais o Senhor Jesus está protegido e como isso pode
ajudar-nos a compreender que Ele é Deus, a segunda pessoa da Trindade.
Isto nos convida a uma profunda, consciente e atual reflexão.
A veste de
glória e majestade
No Antigo
Testamento, Deus manifesta sua presença no meio de seu povo através de
sua glória. Moisés rogou a Deus que lhe mostrasse sua glória, Êx 33: 18.
O profeta Ezequiel presenciou a glória do Senhor saindo do templo, cap.
10, e, mais tarde, presenciou a glória voltando ao tempo, cap. 34. Era a
presença de Deus retornando à sua habitação.
No Novo
Testamento, Deus manifesta sua presença ao homem na pessoa de Jesus. Ele
é a glória de Deus que veio habitar em nosso meio, Jo 1: 14.
Para que a glória
de Deus fosse revelada ao homem foi necessário que Jesus morresse,
depois de sepultado, descesse às partes mais baixas da terra e
ressuscitasse ao terceiro dia com corpo glorificado, subindo acima de
todos os céus, para cumprir todas as coisas, Ef 4: 8 a 10.
Ele é o rei dos
reis e Senhor dos senhores que está vestido de glória e majestade. O
salmista reconhece isto quando pergunta: “Quem é o rei da glória? O
Senhor dos exércitos, Ele é o Rei da glória”, Sl 24: 10. “Glória
e majestade estão diante d’Ele”, 1Cr. 16: 27. O texto de Apocalipse
5: 13 enaltece Jesus dizendo: “Ao que está assentado sobre o trono, e
ao Cordeiro [Jesus] seja o louvor, e a honra e a glória, e o poder para
todo o sempre”.
A glória de Jesus
expressa sua majestade que é grandeza própria dos reis. “Grande é o
Senhor [Jesus] e mui digno de louvor”, Sl 48: 1.
Pela sua majestade
Ele nos oferece uma grande salvação: “Como escaparemos nós se não
atentarmos para uma tão grande salvação?”, Hb 2: 3. Por que
grande? Porque o Deus que a providenciou é grande: “Que Deus é
tão grande como o nosso Deus?”, reconhece o salmista; e como é
grande o nosso pecado! Rm 3: 23.
Jesus veio como
profeta, vive nos céus como sacerdote, e voltará em glória e majestade
como Rei dos reis e Senhor dos senhores para implantar o seu reinado na
terra, Ap. 17: 14.
A veste da
divindade
Os profetas do
Antigo Testamento falaram de Jesus como o Messias prometido, o Emanuel,
o Deus Forte, Pai da Eternidade e o Príncipe da Paz. Isaías profetizou o
seu nascimento, 9: 6. A Bíblia nos ensina que Jesus era verdadeiramente
Deus e verdadeiramente homem. Possuía duas naturezas: humana e divina.
Como homem, teve
sua ascendência da linhagem de Davi, Mt. 1:1 e Rm 1:3, sendo concebido
por uma virgem por obra do Espírito Santo, Mt. 1:18 a 20. Recebeu nomes
humanos, Mc 6: 3, Lc. 19: 10. Era limitado, não podia estar em Jericó e
Nazaré ao mesmo tempo. Ele caminhou, sentiu fome, sede e cansaço, Jo 4:
6 e 7.
Como Deus, era
ilimitado, estava em todos os lugares ao mesmo instante. Conhecia os
pensamentos e intenções do coração dos homens, Lc 5: 22; exerceu
autoridade sobre a natureza, Mt 8: 26, e recebeu nomes divinos, Mt. 16:
16 e Ap 1: 17.
Divindade é a
veste que nos leva a crer e aceitá-lo como Deus. Nada pode ofuscar essa
verdade. Ele é o Deus Filho, segunda pessoa da Trindade.
Na matemática, a
soma de um mais um são dois e, mais um, são três; na multiplicação: uma
vez uma é um, vezes um novamente é um. Na matemática divina, a Trindade
é assim: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três e os três são um.
Há aqueles que
reconhecem Jesus como Filho de Deus, mas não como Deus. Dizem que Ele
foi um simples homem à semelhança de João Batista, Elias, ou um dos
profetas. Não reconhecê-lo como Deus seria proceder da mesma forma como
os soldados fizeram quando Ele estava na cruz do calvário, despindo-o e
repartindo suas vestes.
Ele, sendo Deus,
conhece todas as necessidades do homem, até mesmo antes de pedir-lhe
alguma coisa, Porque Ele é Deus, Nele podemos confiar sem nenhuma sombra
de dúvida, Ef 3: 20.
A veste de poder
O homem sempre
esteve prestando cultos a vários deuses, esquecendo-se de seu verdadeiro
Criador. Infelizmente cultuam a deuses criados pela sua fantasia e
estes, despidos de poder, nada podem fazer pela humanidade.
Jesus é Deus.
Muitos pensam que Jesus, o Deus Filho, operou apenas no passado, e não
mais realiza milagres no presente. A Bíblia, entretanto, diz que Ele é o
mesmo ontem, hoje e eternamente, Hb 13: 8. Está presente conosco todos
os dias, Mt. 28: 20.
Poder é sua veste
especial para curar os enfermos, libertar os oprimidos e quebrar os
grilhões de Satanás. Ele está protegido com essa veste: ”É-me dado
todo o poder no céu e na terra”, Mt. 28: 18. À sua igreja é
concedido o direito de usá-la: “Eu vos dei poder para pisar serpentes
e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum”,
Lc 10: 19.
Em Marcos 5: 25 a
34, lemos a história de uma mulher que estava enferma há doze anos e que
havia utilizado todos os recursos da época para ser curada. Nada
adiantava; pelo contrário, o seu estado era cada vez pior, v. 26. chegou
ao seu conhecimento que Jesus passava pela sua cidade. Imediatamente
procurou ver Jesus. Dizia ela: “Se tão somente tocar nas suas vestes,
sararei”, v. 28. Ela fez o que disse; tocou na veste de Jesus e o
milagre aconteceu: de Jesus saiu poder e a hemorragia estancou-se
instantaneamente, v. 29.
Na verdade a
mulher tocou na veste física de Jesus, v. 31. No sentido espiritual,
pela fé, v. 34, tocou na veste de poder de Jesus. Ele é poderoso para
curar, basta tocar-lhe na sua veste de poder para receber a bênção
almejada.
Por isso, devemos
procurar a proteção nas vestes do poder de Jesus para realizarmos sua
obra e libertarmos os oprimidos e cativos pelo diabo.
Conclusão
Precisamos saber
em quem estamos crendo. Este foi o grito de convicção do apóstolo Paulo
quando disse: “... Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo
de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”,
2Tm 2: 12. Conhecê-lo através de experiências pessoais é uma necessidade
para uma fé inabalável, Salmo 125: 1.
Podemos adquirir
esse conhecimento através da leitura e meditação da Palavra, mantendo
uma vida de oração e consagração, sendo aluno da Escola Bíblica
Dominical e nos empenhando em ganhar almas para o Reino de Deus, Mc 16:
15.