As palavras proferidas por Jesus no Sermão do
Monte e registradas nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus compõem a
constituição do reino dos céus, revelam os princípios celestiais desse reino
e disciplinam o modo de viver dos seus cidadãos.
As bem-aventuranças, como são geralmente
chamadas, são descrições numa forma exclamatória das qualidades que devem
ser encontradas, em vários graus, na vida dos que se submetem ao domínio
soberano de Deus. Elas também são declarações das bênçãos que já
experimentam, em parte, todos os que revelem tais virtudes. Esses irão gozar
mais plenamente na vida futura.
O tempo verbal futuro usado na descrição das
bênçãos, nos versos 5-9, enfatiza sua certeza, e não simplesmente o seu
aspecto futuro. Os que choram serão certamente consolados, os que têm fome e
sede de justiça serão fartos, etc. Nenhuma delas pode sequer existir de fato
sem as demais. As oito qualidades, quando integradas umas às outras, formam
o caráter daqueles que, como seus súditos (3,10), serão aceitos pelo divino
Rei. Esses serão os únicos que o poderão ver, sendo ele invisível (8), e os
únicos dignos de serem seus filhos (9).
Consequentemente, qualquer pessoa que se diga
filho de Deus, ou que diz conhecê-lo, ou pertencer ao seu reino, ou ser
membro do corpo de Cristo, a Igreja, em suma, todos aqueles em que seja
notória a ausência destas qualidades são “mentirosos e não conhecem a
verdade”. Muitas dessas qualidades já haviam sido consideradas como benditas
pelo salmista. Mas, quando foram combinadas por Jesus, formando uma espécie
de mosaico do caráter cristão, Ele realizou um benefício ímpar. As
bem-aventuranças revelam os princípios celestiais do reino e o modo de viver
de seus cidadãos.
Em Mateus 5: 6 encontramos a quarta
bem-aventurança, que nos fala dos que têm fome e sede de justiça. O texto
diz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão
fartos”. Os que têm fome e sede de justiça são os que, por ansiarem ver
o triunfo final de Deus sobre o mal, ver o seu reino plenamente
estabelecido, anseiam por fazer o que é justo e reto. Todos estes têm a
crescente satisfação de saber que estão avançando, e não bloqueando, nos
propósitos de Deus.
Jesus conclama os discípulos, e todos os que
estavam ouvindo o sermão do monte, para serem como um purificador moral em
um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis ou mesmo inexistentes.
Entretanto, os discípulos de Cristo não devem, sob pretexto de ter medo de
exercer uma influência indigna, permanecer silenciosos a respeito de sua
convicção.
A Bíblia de Genebra, em seu comentário, diz
que: “Os que têm fome e sede de justiça são os que procuram a justiça de
Deus, recebem aquilo que desejam, e não os que confiam em sua própria
justiça”. Nos dia de hoje, esta fome e sede de justiça deve dominar o
coração dos seres humanos, especialmente daqueles que se dizem povo de Deus.
O Senhor é justo, e a sua justiça não é apenas para o futuro. A justiça
divina continua agindo hoje.
A Igreja, dentro da prática de sua missão,
precisa crer nisto. Vivendo em um mundo tão injusto, deve lutar através de
seus membros para que haja um mundo mais justo. Não deve ficar pensando
escatologicamente, achando que esta justiça mencionada no sermão do monte
irá acontecer somente na eternidade.
Quando Jesus ensinou o sermão do monte, Ele
estava visualizando também os nossos dias. E nós, como portadores da glória
de Deus, precisamos fazer com que isso se torne real, com o propósito
principal de glorificar a Deus. Precisamos mostrar que, mesmo em meio a
tantas injustiças, ainda é possível crer em um mundo mais justo. Só depende
de nossas atitudes.
O Sermão do monte continua sendo o código de
conduta para os cristãos deste novo século. A injustiça predomina em nossos
dias porque o homem não tem observado a Lei de Deus. Em Cristo, a natureza
humana mesclou-se com a divina. Tal natureza divina elevou as virtudes
humanas o que definiu o padrão do povo do reino. Uma vez que temos a
natureza desse reino, devemos viver de acordo com ela e isso significa que
em Cristo temos de nos deixar conduzir por esse alto padrão de moralidade.
Finalizando, queridos leitores, que sempre
tenhamos muita fome e sede de justiça, mas a justiça que vem de Deus através
da proclamação do Seu reino na face da terra.