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Comentário

Princípios celestiais do reino de Deus
a
Pr. Cláudio Cezar Soares
Assis, SP

"Os que têm fome e sede de justiça”
Mateus 5: 6.

 

As palavras proferidas por Jesus no Sermão do Monte e registradas nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus compõem a constituição do reino dos céus, revelam os princípios celestiais desse reino e disciplinam o modo de viver dos seus cidadãos.

As bem-aventuranças, como são geralmente chamadas, são descrições numa forma exclamatória das qualidades que devem ser encontradas, em vários graus, na vida dos que se submetem ao domínio soberano de Deus. Elas também são declarações das bênçãos que já experimentam, em parte, todos os que revelem tais virtudes. Esses irão gozar mais plenamente na vida futura.

O tempo verbal futuro usado na descrição das bênçãos, nos versos 5-9, enfatiza sua certeza, e não simplesmente o seu aspecto futuro. Os que choram serão certamente consolados, os que têm fome e sede de justiça serão fartos, etc. Nenhuma delas pode sequer existir de fato sem as demais. As oito qualidades, quando integradas umas às outras, formam o caráter daqueles que, como seus súditos (3,10), serão aceitos pelo divino Rei. Esses serão os únicos que o poderão ver, sendo ele invisível (8), e os únicos dignos de serem seus filhos (9).

Consequentemente, qualquer pessoa que se diga filho de Deus, ou que diz conhecê-lo, ou pertencer ao seu reino, ou ser membro do corpo de Cristo, a Igreja, em suma, todos aqueles em que seja notória a ausência destas qualidades são “mentirosos e não conhecem a verdade”. Muitas dessas qualidades já haviam sido consideradas como benditas pelo salmista. Mas, quando foram combinadas por Jesus, formando uma espécie de mosaico do caráter cristão, Ele realizou um benefício ímpar. As bem-aventuranças revelam os princípios celestiais do reino e o modo de viver de seus cidadãos.

Em Mateus 5: 6 encontramos a quarta bem-aventurança, que nos fala dos que têm fome e sede de justiça. O texto diz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos”. Os que têm fome e sede de justiça são os que, por ansiarem ver o triunfo final de Deus sobre o mal, ver o seu reino plenamente estabelecido, anseiam por fazer o que é justo e reto. Todos estes têm a crescente satisfação de saber que estão avançando, e não bloqueando, nos propósitos de Deus.

Jesus conclama os discípulos, e todos os que estavam ouvindo o sermão do monte, para serem como um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis ou mesmo inexistentes. Entretanto, os discípulos de Cristo não devem, sob pretexto de ter medo de exercer uma influência indigna, permanecer silenciosos a respeito de sua convicção.

A Bíblia de Genebra, em seu comentário, diz que: “Os que têm fome e sede de justiça são os que procuram a justiça de Deus, recebem aquilo que desejam, e não os que confiam em sua própria justiça”. Nos dia de hoje, esta fome e sede de justiça deve dominar o coração dos seres humanos, especialmente daqueles que se dizem povo de Deus. O Senhor é justo, e a sua justiça não é apenas para o futuro. A justiça divina continua agindo hoje.

A Igreja, dentro da prática de sua missão, precisa crer nisto. Vivendo em um mundo tão injusto, deve lutar através de seus membros para que haja um mundo mais justo. Não deve ficar pensando escatologicamente, achando que esta justiça mencionada no sermão do monte irá acontecer somente na eternidade.

Quando Jesus ensinou o sermão do monte, Ele estava visualizando também os nossos dias. E nós, como portadores da glória de Deus, precisamos fazer com que isso se torne real, com o propósito principal de glorificar a Deus. Precisamos mostrar que, mesmo em meio a tantas injustiças, ainda é possível crer em um mundo mais justo. Só depende de nossas atitudes.

O Sermão do monte continua sendo o código de conduta para os cristãos deste novo século. A injustiça predomina em nossos dias porque o homem não tem observado a Lei de Deus. Em Cristo, a natureza humana mesclou-se com a divina. Tal natureza divina elevou as virtudes humanas o que definiu o padrão do povo do reino. Uma vez que temos a natureza desse reino, devemos viver de acordo com ela e isso significa que em Cristo temos de nos deixar conduzir por esse alto padrão de moralidade.

Finalizando, queridos leitores, que sempre tenhamos muita fome e sede de justiça, mas a justiça que vem de Deus através da proclamação do Seu reino na face da terra.

Publicado no Jornal Aleluia de novembro de 2007
           
Página atualizada em 07/03/2009

            Cláudio Cezar Soares é pastor da IPRB desde 1998
            É presidente da MISPA desde 2007.

 

Direitos autorais

Este artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação sem autorização formal da Editora Aleluia.

   Comentários dos leitores


De Márcio Luiz Tertuliano
1ª Igreja Presbiteriana Renovada
Contagem, MG

Verdadeiramente a igreja não pode se calar diante da imoralidade que impera na sociedade deste século. O casamento não tem moralidade mais; entre pais e filhos não existe moralidade, nem no convívio do trabalho, com os que se dizem amigos e, o pior, até dentro da igreja de Cristo a imoralidade tem um certo espaço. Lógico, há exceções.
Mas uma coisa é certa a palavra de Deus é enfática ao recriminar a imoralidade. Ela não muda, o nosso Deus não muda. Então devemos pregar a Jesus e sua doutrina. Com isso é possível que o caráter do ser humano possa vir a ser mudado.