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Casa de negócios

Pr. Ezedequias Ventura
Belo Horizonte, MG


 


...não façais da casa de meu Pai
casa de negócio.
João 2: 16b

 

O negócio não está aprazível. A casa de Deus, comumente chamada “Casa de Oração Para Todos os Povos”, tem perdido esta característica.

O lugar da oração tem sido ocupado por diversas programações religiosas. Religiosas - mas são programações.

Lembro-me de um tempo em que entrar no templo era um ato reverentemente sagrado. Pé ante pé. Em total silêncio. Talvez seja porque o escritor sagrado reverberara em seu escrito: “Guarda o teu pé quando entrares na Casa de Deus!” (Eclesiastes 5.1). Daí o respeito exarado. Entrando no templo, ao tomar seus lugares, os irmãos crentes se punham de joelhos e oravam ao Pai. Cinco, dez até quinze minutos. Contemplo hoje orações em que o irmão crente mal encosta seus joelhos no chão e já se levanta. Parece que o grande Jeová não está mais presente em sua Casa.

O hino histórico diz:

Deus está no Templo
Pai Onipotente,
A seus pés nos humilhemos.
Servos consagrados, reverentemente,
Ao Santíssimo adoremos!
Por favor, com amor, espiritualmente,
Deus está no Templo!

             (45 - Hinário ALELUIA)

Observemos outro aspecto da reverência com a casa de Deus, conforme no texto que tomo por base desta mensagem:

...não façais da casa de meu Pai casa de negócio.

O texto é por todos conhecido, mas, como a palavra de Deus é sempre nova, meditemos nele.

O momento

Entrando Jesus no templo, viu de tudo: bois, ovelhas pombas e homens corruptos e inescrupulosos. Vendedores oportunistas.

O texto traz, em lugar de vendedores, cambistas. Parece uma alusão ao fato de que os animais vendidos eram para garantir o ingresso no templo já que, para o sacrifício, tais eram necessários (numa interpretação livre).

Foi neste momento que Jesus adentrou ao templo.

Vejo aqueles homens com um pensamento piedoso:  

“meus amigos! Em lugar de vocês virem de tão longe trazendo nos ombros a oferta para o sacrifício, eu as vendo aqui por um precinho
camarada!”

É a obtenção de lucro a expensas da necessidade alheia. Não existe nada de justo nisso.

É para reflexão quanto a que ocorre hoje nos templos, em nome da nova metodologia de se viver o evangelho. 

A indignação

Seu sentimento de repulsa deveu-se ao fato de que sua casa é “casa de oração” – e era exatamente isso que não estava acontecendo.

A proposta de Cristo é que seus discípulos se reúnam para adoração e comunhão e nunca para coisas efêmeras.

Jesus foi tomado de comoção e, fazendo um azorrague, distribuiu chicotada pra todos os lados. Não acho que Ele apenas ameaçou dar chicotadas. É difícil crer que Ele tenha usado de blefe. Creio, firmemente, que muitos tomaram lambadas.

Os dias atuais

...não façais da casa de meu Pai casa de negócio.

Existe negociata feita nos templos. Nas denominações. De todas as formas, por todos os meios.

O que o Senhor Jesus Cristo está sentindo? Amor? Indignação?

Não estamos vendo o azorrague de Jesus?


Conclusão

A casa de Deus deve ser, de fato, uma casa de negócio:

Casa dos Negócios do Reino de Deus! Onde tudo é pela graça e também por graça.

Isto significa que o sentido do texto é para que mantenhamos firme o propósito da Casa de Deus – Uma Casa de Oração para Todos os Povos.

Encerro, clamando:


Oh! Maravilhosa graça!
Inunda nosso interior!
Oh! Divina graça! Molda nosso ser.
Que as atitudes da Igreja sejam,
De acordo com o Evangelho de Cristo Jesus,
Inspirando vida, paz e luz!

  


Publicado no Jornal Aleluia de março de 2009, página 02
        Inserido em 08/06/2009


                  

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