"Estou fazendo uma grande obra,
de modo que não poderei descer.
Por que cessaria esta obra,
enquanto eu a deixasse
e fosse ter convosco?
” 

Neemias 6: 3

 

A propósito do dia do pastor, 2º domingo de junho, gostaria de trazer a todos os pastores e pastores auxiliares da IPRB, bem como a todos os demais obreiros da Igreja e missionários, do Brasil e do exterior, uma reflexão a respeito do caráter de amor e determinação de Neemias para com a obra do Senhor.

Neemias foi um líder intrépido, que sacrificou a vida sossegada que levava no palácio, onde era copeiro do rei na Pérsia, Artaxerxes, para servir a um povo aflito e desencorajado, como governador da Judeia, Ne 1: 11 e 2.

Cem anos eram passados, depois que os judeus regressaram do cativeiro (444 a.C.), e quase nada havia sido feito entre eles, a não ser a reconstrução do templo. Foi um período de estagnação e de grande aflição, pois os povos inimigos ao redor não permitiam que o povo de Deus prosperasse.

Não faltaram motivos para que esse servo de Deus viesse a fracassar ou desanimar com o ministério que Deus lhe havia confiado, ou seja, revitalizar a cidade de Jerusalém que estava totalmente destruída, 2: 13 a 17. No entanto, mesmo diante dos obstáculos foi capaz e muito perseverante em seu objetivo, buscando forças no Senhor para começar e terminar a tarefa de reconstrução da cidade.

Da mesma forma, o pastorado pode muito bem ser comparado ao seu trabalho, pois o dia-a-dia de um pastor é desafiador e muito desgastante. Assim como Neemias, o pastor enfrenta todo tipo de oposição. Coragem,  determinação, comprometimento, motivação, amor à obra de Deus e outras qualidades foram muito importantes para o sucesso ministerial de Neemias.

 
COMPROMISSO COM DEUS

Neemias recebe a notícia de que os que restaram do cativeiro estavam em grande miséria e desprezo, o muro de Jerusalém destruído e as portas queimadas a fogo. Este fato lhe causou grande tristeza, o que levou Neemias a buscar a vontade de Deus, por meio da oração e jejum, 1: 3 e 4.

Com isso, sentiu-se parte do povo e decidiu, voluntariamente, com autorização do rei Atarxerxes, que se comoveu com a sua tristeza, assumir o compromisso de reconstruir a cidade: “... peço-te me envies a Judá, a cidade dos sepulcros de meus pais, para que a eu a edifique”, 2: 5.

É muito edificante percebemos, nos capítulos que se seguem, a disposição e dedicação desse homem de Deus. Ninguém lhe pediu para tomar para si a responsabilidade de reconstruir a cidade. Foi uma decisão que partiu dele. O compromisso de fazer a obra de Deus foi uma das grandes motivações de seu triunfo ministerial.

Aqui está uma lição muito relevante: o ministério ou pastorado bem-sucedido será sempre marcado por um verdadeiro espírito de desprendimento em favor da obra de Deus.

 

CORAGEM NA ADVERSIDADE

Neemias recebe carta do rei autorizando-o a conhecer “in loco” a situação de calamidade do seu povo, 2: 7. Chegando a Jerusalém e permanecendo na cidade por três dias, ele percebe, depois de andar pelas ruas de Jerusalém, à noite, que tudo que tinha ouvido falar era verdade.

A cidade estava totalmente assolada e era grande a miséria, 2: 17. Restava-lhe apenas enfrentar o desafio de revitalizar a cidade, ou seja, realizar o projeto de reestruturação de Jerusalém dado por Deus: “... o que o meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém”, v. 12.

Sem dúvida, ele estava esperando somente em Deus. Depois de fazer uma criteriosa inspeção dos danos causados pelos samaritanos e calcular as despesas do projeto de reconstrução, apela ao povo (judeus) e recebe apoio total para reedificar o muro e deixar o jugo do inimigo: “... levantemo-nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem”, 2: 17 e 18.

No entanto, não sabiam eles que a oposição seria grande a partir desse momento. Não faltaram críticas e zombarias à atitude desse servo de Deus: “Que é que fazeis?”, 2: 19. Percebe-se, a partir do capítulo 3, que Neemias não se intimidou nos momentos de adversidade: “Que fazem estes fracos judeus”, 4: 2.

Ele rompeu com o medo e foi corajoso, ainda que o inimigo ameaçasse frustrar seus objetivos, cap. 4. O povo de Deus não se intimidou diante das afrontas. “Não os temais. Lembrai-vos do Senhor, grande e terrível, e pelejai...”, 4: 14. Coragem frente às críticas, às afrontas e insultos foi a receita para o triunfo do povo de Deus. Também em nossos dias precisamos nos valer dessa prerrogativa para vencer os desafios do ministério.


CONSOLIDAÇÃO DA MISSÃO

O desafio traz sempre a necessidade de sonhar ou de acreditar que há uma saída diante das dificuldades. Quando Neemias soube que os muros de Jerusalém estavam fendidos e as portas queimadas, acreditou que a história do seu povo poderia ser mudada com a sua participação. Foi aí que ele decidiu reedificar tudo.

Reconstruir era o grande desafio. Apesar dos que se opunham, nada impediu o avanço e conclusão da obra de Deus. O capítulo 6 diz que os inimigos conspiram e intimidam o povo de Deus e usam até de suborno para atemorizar Neemias, v. 13. Mas ele era um líder determinado e estava convicto de sua missão. É assim que precisamos ser, pois estamos fazendo uma grande obra e não podemos parar ou recuar.

Neemias começou e terminou o projeto de revitalização da cidade. Tudo aconteceu em apenas cinquenta e dois dias. Todos os inimigos temeram e abateram-se muito em seus próprios olhos, porque reconheceram que a obra era de Deus e não de Neemias (dos homens), 6: 15 e 16.

É muito importante começar e acabar o projeto (missão) que Deus nos confiou. Não podemos deixar nossos sonhos morrerem. Concluir o projeto ou plano que começamos a fazer é fator determinante no pastorado. Por isso, siga em frente e seja um Neemias nas mãos de Deus, um obreiro comprometido com o reino, que rompa com o medo em meio às dificuldades. Persevere na vontade de Deus.

Concluindo, gostaria de dizer que há muito para se reconstruir em nossos dias, ou seja, o mundo (humanidade) está com os muros fendidos e as portas destruídas. A humanidade está em calamidade espiritual, moral e material. Deus precisa contar com mulheres e homens destemidos e determinados para refazer lares e revitalizar vidas.

Aprendamos com Neemias que em momento algum retrocedeu. Bem disse Jesus: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”, Lc 9: 62. Mediante essas considerações, desejo que Deus abençoe ricamente o ministério de cada pastor e líder da IPRB, e que a unção do Santo seja sobre todos.
 

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2001

 
 

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Página atualizada em 30/10/2016