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"Portanto ide, fazei discípulos de todas
as nações, batizando-os em nome do Pai,
e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a observar todas as coisas
que eu vos tenho mandado; e eis que
eu estou convosco todos os dias,
até a consumação dos séculos".


                                                  
 Mateus 28.19, 20

 

            Finalizando seu ministério e próximo ao sacrifício do Gólgota, tendo em mente o  preparo dos homens que haveriam de dar sequência e expandir seus ensinamentos além das fronteiras da Palestina (At 1.8), Jesus lhes dá uma determinação especifica:” Ide, fazei discípulos de todas as nações”.

            Por que Jesus ordenou àqueles a quem caberia a liderança de sua igreja recém-nascida a ordem de fazer (construir) discípulos (seguidores, aprendizes ou alunos) e ensiná-los a praticar as mesmas e todas as coisas que haviam dele aprendido?

            Nota-se bem no texto uma ênfase em “todas as coisas’ e não apenas em “algumas coisas” que os neo-conversos deveriam ser ensinados a conhecer e a praticar.

            O método aplicado hoje na igreja oferece uma ênfase acentuada à conversão pela pregação, o que é correto. No entanto, o discipulado ou a preparação para a vida cristã enfatiza a adequação a normas e princípios considerados cristãos pela instituição igreja. Há uma preocupação com o crescimento numérico e estatístico em comparação a outras agremiações religiosas. Usam-se muito as campanhas que buscam a prosperidade financeira construída em cima de doações e compromissos que redundarão em benefícios ao doador que, uma vez ofertando, conquistará seus objetivos quase sempre humanos e terrenos.

            Ao considerar a expressão de Jesus “as coisas que eu vos tenho mandado”, somos forçosamente transportados para sua vida, Seus valores e os exemplos do seu dia-a-dia, quer caminhando com seus seguidores ou com as multidões, com os religiosos daqueles dias e mesmo com publicanos e pecadores, ou com as autoridades do povo e o poder público de Roma. Ao chamar seus primeiros seguidores, ao confrontar publicamente ideias preconcebidas e apresentar novos ensinamentos e mandamentos, seu comportamento diante dos sofredores, dos humilhados, dos pecadores ou com os poderosos de Seu tempo. Em casa, na casa dos amigos, no Templo de Jerusalém e nas sinagogas. Quando admirado ou escandalizado, em publico ou a sós. Enfim, muitas seriam as situações e condições que poderíamos relatar.

            Ao realizar tais comparações não podemos deixar de constatar que o discipulado determinado por Jesus é muito mais moral e ético do que institucional onde a ênfase está na relação com Deus e com o próximo. No partilhar da vida e da existência humana. Fica claro que, para Jesus, o maior prejuízo do homem é o mau desígnio, a contaminação e a impureza de dentro  do seu coração. E que ser realmente grande no reino de Deus é servir ao invés de ser servido.

            O discipulado determinado por Jesus se preocupa com os valores reais da existência humana, passando pela humildade de espírito para pertencer ao Reino dos Céus. Da justiça e igualdade social, da consolação dos que passam por necessidades cotidianas e tem sede por oportunidades igualitárias e, por esta razão, choram, clamando por misericórdia. Da necessidade de pacificar e fazer uso da mansidão. Da simplicidade e da pureza de coração, aprendendo a ajuntar tesouros no céu de onde virá a verdadeira recompensa, o galardão. (Mt 5.3-11)

            O discipulado determinado por Jesus passa pelas verdadeiras prioridades da vida humana e o incondicional amor revelado no Reino de Deus e sua justiça, tendo como recompensa o suprimento das verdadeiras necessidades cotidianas (Mt 6.33)  

            O discipulado determinado por Jesus parte sempre da mudança da forma de ver, interpretar e aplicar a lei e os costumes, pois sem mudança de mente (Rm 12.1,2) não pode haver novo entendimento com respeito aos verdadeiros valores do Reino de Deus. Estes novos valores foram ensinados por Jesus a um povo subjugado politicamente por um poder imperial impiedoso, por uma tributação injusta e vida social sem perspectivas, em meio à pobreza continuada. Um povo orientado a partir de valores espirituais e religiosos distorcidos, segundo a conveniência de uns poucos, que detinham o domínio e o direito de interpretar a Lei e os profetas, conforme suas próprias tradições.

            O discipulado determinado por Jesus procurou agregar valores ao alcance de seus seguidores, construindo dentro de cada um a motivação necessária para uma ascensão, se não social pelo menos ética, moral e espiritual, acrescentando-lhes uma melhor visão de si mesmos. (Mt 6.26). Jesus construiu na mente de seus seguidores a verdade, o perdão, o amor ao próximo, a solidariedade e a fidelidade a Deus acima de tudo. Enfatizou o amor ao próximo e a preocupação com aqueles que formam o mais íntimo círculo de relacionamento humano: a família.  Isto fica claro na parábola do bom samaritano e na determinação dada ao recém-liberto e converso gadereno. Estar com Ele seria transmitir as boas novas àqueles que compunham sua família, ou seja, os de sua casa. (Lc 8.35).

            Em contraste com o discipulado determinado por Jesus, hoje temos observado a grande preocupação de homens que buscam sobrepor a homens. Lideranças que são estabelecidas por motivações pessoais e títulos distribuídos apenas por honrarias humanas, onde se busca sobressair por critérios da afeição da camaradagem ou mesmo pela vaidade ou oportunismo.

            Em seu discipulado, Jesus trabalhou o coração de seus seguidores ao invés de buscar a supremacia. Simplesmente os chamou de amigos, nivelando assim o relacionamento. Ofereceu a possibilidade de crescimento moral, intelectual e, acima de tudo, espiritual para, quando necessário fosse, se tornarem seus próprios substitutos (João 15:13-14),

            O discipulado determinado por Jesus transformou homens de dentro para fora afim de que esses transformassem o mundo a partir de suas experiências pessoais com Deus. Os homens que, com idealismo, convicção, fé e autoridade deveriam estabelecer a igreja que é a representação do reino de Deus na face terra.

            O discipulado determinado por Jesus não mudou. Quem mudou fomos nós que perdemos a visão do verdadeiro discipulado. No verdadeiro, a ênfase repousa em fazer conhecido o amor de Deus pela pregação da fé em Cristo para salvação e ênfase na ação do Espírito Santo, sarando as frustrações da vida humana, gerando esperança e motivação na vida daqueles que são chamados para serem cidadãos do reino de  Deus.  Esse é o discipulado determinado por Jesus.

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José Mauricio Pereira é pastor da IPRB desde 04/04/1989
Detentor do prontuário 528.

Membro da Diretoria Executiva da IPRB desde 2001.
Pastor da 1ª IPR de Aparecida de Goiânia, GO.
Artigo publicado no Jornal Aleluia 347, de novembro de 2009.
 

Direitos autorais

Este artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação
sem autorização formal da Editora Aleluia.

 

   Comentários dos leitores

De Márcio Luiz Tertuliano
1ª  Igreja Presbiteriana Renovada
Contagem, MG

O artigo trata de uma questão realmente relevante e que acontece em nossos dias, quando muitos não estão valorizando esse aspecto da fé cristã que é ser um discípulo de Cristo. Devemos lembrar que ser um discípulo designado por Jesus é um privilegio e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. Somos designados para divulgar o reino e o evangelho de Jesus Cristo aos que não são crentes, cumprindo assim com sua vontade e determinação. Mas alguns usam os púlpitos para pedir altas quantias de dinheiro, pregam mais bênçãos terrenas que a vida eterna e se esquecem de anunciar um evangelho simples, baseado em Jesus, aquele que salva, cura, liberta e voltará para buscar todo aquele que crer e for batizado e que tiver seu nome escrito no livro da vida. Quem prega estas coisas, como fundamento do evangelho, entende o que é ser designado por Jesus.

Página atualizada em 07/10/2011