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Pedro é um dos grandes nomes
da história da Igreja. 
Para que sua vida ministerial chegasse
a um estágio de aprovação,
ou para que ele fosse reconhecido
como autoridade bíblica, foi preciso vencer
grandes embates ministeriais. 

 

Ninguém pense que pelo simples fato de ter sido testemunha ocular de Jesus que o seu ministério possuía o carimbo da infalibilidade. O fato de conviver com Jesus não o tornou imbatível e tampouco livre das investidas satânicas.

        O Pedro que encontramos na Bíblia Sagrada é um homem como todos nós, cheio de limitações e fracassos. Uma pessoa que, apesar de ter negado a Jesus por três vezes, não se intimidou com a derrota, mas conseguiu dar a volta por cima e ser restaurado por Jesus. Estudar a vida desse homem de Deus é, em todos os sentidos, uma oportunidade de crescimento ministerial. Vejamos alguns aspectos importantes do episódio em que Pedro nega a Jesus, arrepende-se e é restaurado pelo Senhor, Mateus 26: 69-75.
 

O perigo da autoconfiança

Jesus já havia avisado aos seus discípulos que, quando ele fosse condenado, todos iriam se escandalizar nele, ou seja, o fato de o conhecer ou de andar com o mestre seria motivo de escândalo para os seus seguidores, pois isso faria com que todos se voltassem para eles com grandes questionamentos, v. 31. O que Jesus queria passar a eles era a mensagem da pressão que sofreriam em defesa da fé no Nazareno.

Mas quando foram severamente advertidos, Pedro foi o primeiro a dizer: "Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei", Mt 26: 26. E os demais disseram a mesma coisa. Mais tarde, o que presenciamos é a cena de um Pedro fracassado, porque havia negado, na presença de todos, que era um dos conhecidos de Jesus. O Pedro que temos, nessa fase, não é mais aquele discípulo ousado e autoconfiante, mas um homem dependente da graça restauradora de Deus.

Não há nenhum demérito em ser autoconfiante, ou seja, acreditar em si mesmo em certas situações. Pelo contrário, a autoconfiança é uma virtude. Mas quando falo sobre o perigo da autoconfiança estou me referindo aos cuidados que precisamos ter no que diz respeito às nossas limitações. Ter essa consciência é um requisito importante em todos os sentidos. O pastor não é, em momento algum, um super-homem. Ele precisa sentir inteira dependência do favor divino em sua vida.
 

O reconhecimento das falhas

A Bíblia diz que Pedro, após negar a Jesus, chorou amargamente, v. 75. Esta é uma evidência de que ele fez, logo após a sua vergonhosa atitude, uma auto-avaliação em seu comportamento ministerial. Quando o galo cantou, como conseqüência de seu mau testemunho diante dos criados do rei, uma das primeiras coisas que veio à sua mente foi aquele momento em que Cristo disse: "... antes que o galo cante, três vezes me negarás", Mt 26: 34. A atitude de chorar amargamente, que se traduz por chorar em voz alta, demonstra que ele estava profundamente envergonhado, não de seu mestre, mas de si mesmo. Jesus tinha razão quando disse que todos se escandalizariam nele.

Pedro reconheceu que falhou. Sua atitude é uma virtude que precisa ser cultivada por todos. Geralmente, o ser humano tem uma tendência à transferência de culpa. Muitas vezes ele não quer assumir suas falhas ou fraquezas. Foi o que aconteceu com Adão e Eva quando pecaram. O homem disse que a culpa foi da companheira que Deus lhe deu; ela, por sua vez, disse que a culpa fora da serpente, Gn 3: 12 e 13. Ninguém queria assumir a tragédia ocorrida no Jardim do Éden. Foi um verdadeiro jogo-de-empurra.

Hoje não é diferente. Em uma casa, por exemplo, quando se quebra algo, uma criança diz assim: foi fulano. A outra distorce a palavra e afirma: foi beltrano. O ser humano já nasce com essa tendência. Por vezes, há também aquela mania de querer atribuir a culpa ao diabo. Tudo é culpa dele. Mas isto não ocorreu com Pedro. De imediato ele assumiu o seu erro; ele se quebrou diante do Senhor. Foi uma atitude maravilhosa e edificante. Reconhecer as falhas é um momento difícil, mas não deixa de ser um ato louvável diante de Deus.
 

O conhecimento íntimo do Senhor

Apesar de ter negado a Jesus por três vezes, Pedro demonstrou que, de fato, tinha alguma coisa em comum com o seu mestre, pois era, indiscutivelmente, seu discípulo. Não havia como esconder esta verdade revelada em sua vida: "... também tu és um deles, pois a tua fala te denuncia", v. 73. Mesmo assim teve a infelicidade de co-meter um deslize ministerial. A filosofia de que falhar é humano é pura verdade. É uma herança do pecado, Rm 3: 23. No entanto, permanecer no erro não condiz com a Palavra de Deus. Ao caído, Deus está dizendo: Levante-se! Estão perdoados todos os seus pecados.

Um fator interessante na vida de Pedro é que, além do conhecimento recebido a respeito da pessoa de Jesus, ele precisava de uma experiência mais profunda com o Senhor. Ele pensava que era um cristão provado e aprovado, chegando a dizer que nunca negaria ao Senhor. Porém, diante da luta ele demonstrou despreparo para o ministério. Depois do fracasso decidiu até mesmo voltar ao seu antigo trabalho de pescaria, Jo 21: 3.

Mas a partir do encontro com Jesus junto ao mar de Tiberíades, a vida pessoal e ministerial de Pedro foi radicalmente transformada. Essa mudança foi confirmada pela tríplice confissão de seu amor a Jesus: "Simão, filho de Jonas, tu me amas?" Com convicção, Pedro responde: "Senhor, tu sabes que te amo". Jesus disse: "... apascenta as minhas ovelhas", Jo 21: 15-17.

Como é maravilhoso presenciar um Pedro arrependido e restaurado. Alguém que passaria a fazer a obra de Deus com uma nova dinâmica ministerial, porque possuía um conhecimento sólido do Senhor. Essa marca espiritual é vista em suas cartas ao abordar assuntos como: salvação, a santificação, os deveres dos cônjuges, o amor fraternal, os falsos mestres e a vinda do Senhor.

Qualquer cristão precisa ter sua vida espiritual respaldada por um autêntico conhecimento de Deus e de sua Palavra. Muitos conhecem um Cristo histórico, outros, um Cristo filosófico. Mas ao servo ou serva de Deus compete conhecer e ter intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
 

Conclusão

Gostaria, portanto, de concluir dizendo que o ministério é uma bênção, mas, ao mesmo tempo, um grande desafio, porque a nossa luta é contra o próprio Satanás. Deus tem procurado homens dispostos para fazer a sua obra.

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2003.

 
 
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   Comentários dos leitores

De Maria Erisvalda Melo
Igr. Evangélica Assembleia de Deus
Fortaleza, CE

Que maravilha de artigo! Quero dizer pra você que tudo que li o Espírito Santo testificou em meu coração que é verdade. O conteúdo de suas palavras é nobre e, ao mesmo tempo, contundente. É maravilhoso saber que ainda tem homens e mulheres que dão lugar a Deus pra falar conosco nesta terra. Que Deus o abençoe, meu querido irmão, vc é uma bênção!
 

Do Pr. Carlos César Pereira
Igreja Presbiteriana Renovada
Sumaré, SP

Quero parabenizá-lo, senhor presidente, pelas mensagens sobre avivamento que tem pregado nas nos encontros. Acho que toda nossa denominação deveria unir as forças, participando dos eventos com dedicação, nos presbitérios, e também nos eventos promovido pela IPRB.
 

De Natália Monteiro
Igreja Batista Nova Aliança

É disso que nossas igrejas precisam. Deus te abençoe, Pastor.


De Osmar Mendes de Almeida
IPR de Rio Pequeno
São Paulo, SP

Obrigado por suas palavras!

 

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