O Brasil é um país rico em cultura
porque foi povoado por diversos povos.
Eles trouxeram sua religiosidade e seu modo
de relacionar-se com Deus. Tudo isso,
somado à liberdade de leitura da Bíblia,
conquistada pela Reforma Protestante,
propiciou uma multiplicação de linhas
de interpretações e de vivência dos ensinos da Palavra de Deus.

 

Uma análise do pentecostalismo brasileiro 

                   

Uma das consequências dessa multipla colonização e na área religiosa foi a diversidade de entendimento da doutrina do Espírito Santo. Tal fato levou à formação de muitas denominações. E isso tem chamado a atenção dos estudiosos das Ciências da Religião e levado a uma classificação. Na tentativa de dar uma visão do movimento, fala-se em pentecostalismo histórico, deutero-pentecostalismo, neopentecostais e celularização das igrejas.


          O início do pentecostalismo em terras brasileiras

O chamado pentecostalismo histórico refere-se às primeiras denominações que surgiram no território nacional, no início do século XX: a Igreja Assembleia de Deus e a Congregação Cristã no Brasil.

O despertamento missionário mundial foi fundamental para que esse movimento fosse aqui instalado. Os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren mudaram-se para o Brasil e foram residir no Pará. Frequentaram uma Igreja Batista e pregaram sobre o batismo com o Espírito Santo. Havendo resistência, saíram e fundaram a Igreja Assembleia de Deus.

No caso da Congregação Cristã, o missionário Luigi Francescon foi seu fundador. Mudou-se para o Brasil e iniciou seu trabalho no Estado de São Paulo e Paraná. Antes, era membro da Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, EUA.

Essa fase do pentecostalismo teve as seguintes características: foi fruto do grande movimento missionário do final do século XIX e início do XX; possuía uma dinâmica própria, herdando traços dos movimentos de santidade da Inglaterra e dos Estados Unidos, particularmente do metodismo. Sua ênfase principal era o falar em línguas, conforme Atos 2.


        Ampliando as tendas no território nacional

A partir das décadas de 50 e 60, novas igrejas surgiram no Brasil e são chamadas de deutero-pentecostais. Elas mantêm parte da estrutura das igrejas de onde saíram, mas colocam a ênfase nos milagres e na cura divina. Os principais pontos teológicos continuam iguais. Utilizaram o rádio, maior meio de comunicação da época. Essas novas igrejas se espalharam rapidamente de norte a sul do Brasil.

As principais são: a Igreja do Evangelho Quadrangular; Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo; Igreja de Nova Vida; Igreja Pentecostal Deus é Amor; Casa da Bênção e Metodista Wesleyana. Várias dessas igrejas estabeleceram regras de usos e costumes para seus membros. A partir do momento que uma pessoa aceitava a Cristo, era necessário dar demonstrações exteriores dessa conversão.


 
        Período de polêmicas na pátria brasileira

As décadas de 60 e 70 foram marcadas por uma crise econômica, colapso no abastecimento de petróleo e governo pela ditadura militar. Nessa fase, surgem os neopentecostais. Em seus trabalhos tentavam apontar soluções para as dificuldades fundamentais e diárias do povo que se achava envolvido pela crise que afetava o país. Dentre as muitas igrejas, são mais conhecidas: a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça.

Receberam a classificação de neopentecostais por causa de sua ênfase à demonologia: para eles qualquer tormento é produzido pela presença de demônios na vida da pessoa e a única forma de dar solução é a prática do exorcismo. Lúcifer e seus demônios são os responsáveis por tudo que acontece de errado com as pessoas, animais ou objetos. Crêem que só uma sessão de "descarrego" pode destruir esses males, estabelecer um limite para ação do reino das trevas e promover a saúde, o sucesso e a prosperidade do cristão. Seus cultos possuem semelhanças às crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular.

Foi nesse período que surgiu a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Manteve, em linhas gerais, a estrutura administrativa da igreja de onde saiu, mas adotou as doutrinas pentecostais tradicionais como fez a Igreja Batista Renovada. Sociologicamente, a Renovada não é uma igreja neopentecostal, mas carismática. Entende-se como carismática a igreja que mantém a estrutura administrativa de onde saiu e aceita as doutrinas pentecostais.


       
Início da celularização no movimento pentecostal

O início do século XXI está marcando as igrejas pentecostais e também as históricas com uma nova metodologia de trabalho: a adoção das células. O método celular começou na Coreia do Sul, com a Igreja do Evangelho Pleno; na América do Sul, com a Missão Carismática Internacional, na Colômbia; no Brasil, através do Ministério Internacional de Restauração - MIR, localizado em Manaus.

O impacto do movimento de células tem sido grande e com resultados positivos na evangelização e crescimento das igrejas. Suas características são ganhar, consolidar, discipular e enviar.

Para ganhar novas pessoas para Cristo, trabalham com pequenos grupos, estabelecem células nos lares, onde exercem evangelismo pessoal, realizam eventos de colheita, cultos de celebração e multiplicação das células.

Para consolidar o novo crente nos caminhos de Jesus, procuram dar toda assistência necessária ao novo convertido, visando levá-lo à libertação espiritual, tratamento interior, conhecimento da prática celular e busca do batismo com o Espírito Santo para que, através da unção, ele continue firme no processo de santificação e capacitação para o exercício dos dons espirituais e talentos na causa do Mestre.

Através da Escola de Líderes e de acompanhamento pessoal na célula procuram discipular o novo convertido. O professor da Escola ensina, mas é o líder de célula quem forma e quem discípula. Com isso, acontece o desenvolvimento prático do sacerdócio universal dos crentes.

Enviar implica em assumir a liderança de uma célula e todos os compromissos necessários para o seu desenvolvimento. É necessário ter paixão pelas almas perdidas é estar comprometido com o "Ide" de Jesus.

Conclusão

O avivamento e a renovação espiritual no território brasileiro sempre aconteceram em períodos de crises no mundo ou estagnação das igrejas, quando as pessoas buscavam soluções. Não encontrando onde estavam, acabaram por procurar a Deus através de intensa oração. E, quando as pessoas começam a orar, vem o avivamento. Sempre surgiram dois grupos: aqueles que se mantiveram mais acomodados e os que buscaram com mais dinamismo uma vida cristã mais ativa.

O movimento pentecostal no Brasil, embora assim diversificado, tem influenciado positivamente a sociedade, trabalhando pela restauração das pessoas, levando indivíduos a uma responsabilidade familiar mais profunda, através de uma visão bíblica completa. Por isso é hoje o maior grupo evangélico no Brasil.

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Francisco Araújo Barretos Neto fora pastor da IPRB desde 25/12/1993.
Detentor do prontuário 713.
Nascido aos 16/06/1963, faleceu em 25/01/2010.
Por sete anos integrou a equipe do Jornal Aleluia, atuando como redator.
Artigo publicado no Jornal Aleluia de junho de 2003.

 

 

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Página atualizada em 13/06/2011