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Pr. Francisco A. Barretos
Arapongas, PR
O
homem sempre sentiu a necessidade de compreender as questões que envolvem
sua vida, e seu passado lhe fornece muitas informações para tal
entendimento. Veja o caso do evangelista Lucas que recorreu aos fatos
históricos para fundamentar a fé de seu amigo Teófilo em Jesus, Lc 1: 1-4. O
filósofo Giambattista Vico afirmou que “para entendermos o homem,
primeiramente, teríamos de entender a história”. Assim, para entender a
sua igreja, você precisa conhecer, valorizar e aprender com sua história.
O significado de história
A
palavra história vem do vocábulo grego istoría que significa
pesquisa, informação, narração. Assim, pode-se pensar história como o
conjunto de conhecimentos sobre o passado da humanidade, de um povo ou uma
pessoa, que auxilia na compreensão do presente e ajuda a projetar o futuro.
a) A
história dedica-se à pesquisa.
Sem a dedicação dos historiadores jamais
iríamos saber de onde viemos. O presente é uma conseqüência natural do
passado, na mesma proporção que uma colheita é da semeadura, Gl 6: 7-8.
Dessa forma, quem quiser entender sua realidade religiosa, profissional,
ministerial e outras, terá de olhar para o passado com a intenção de
descobrir a origem de tudo e, naquilo que não está dando certo, fazer as
devidas correções.
b) A
história revela quem somos. Os fatos do passado de uma pessoa ou de um grupo
explicam, em grande parte, suas qualidades e defeitos no presente. Tudo tem
uma origem, um começo, um porquê. Mas o tempo passa e muitas dessas
informações caem no esquecimento ou nunca tomamos conhecimento de que tal
fato aconteceu.
Francis
Bacon defendia que a memória é o principal instrumento para entendermos as
questões históricas. Memória é a capacidade de reter idéias, impressões,
fatos e conhecimentos. Ela ajuda a lembrar que a vida é dinâmica; por isso,
as mudanças a cada década são inevitáveis. Ajuda a entender que os métodos
de trabalho que funcionaram numa geração podem não funcionar com outra. Leva
a descobrir que cada época tem suas características especificas e o homem
precisa ser reeducado para vivê-la melhor. Aplicando-se ao cristianismo,
pode-se concluir que, sem metodologia de trabalho específico para sua época,
nenhuma igreja consegue crescer.
c) A
história interpreta os fatos.
Mais do que relatar acontecimentos, a história
também precisa ser interpretativa. Mostrar os porquês, as causas e as
conseqüências. Quem narra um fato o faz a partir do seu ponto vista. Deus é
perfeito, mas o homem tem suas falhas. Por isso, toda narração de
acontecimentos tem suas particularidades porque foi relatada a partir de um
ponto de vista. Os quatro Evangelhos, por exemplo, foram escritos para que o
cristão tivesse compreensão mais ampla da vida, ministério, morte e
ressurreição de Jesus. Já o livro de Atos narra a história da Igreja do
ponto de vista de um convertido ao cristianismo: Lucas.
O papel da história na sociedade
a) A
história ensina a evitar os erros do passado.
Há pessoas que acreditam que história é apenas a descrição daquilo que já
aconteceu há muito tempo e, por isso, não tem nada haver com os dias atuais.
Porém o sociólogo Max Weber entendia que “seria possível extrair idéias
da história” porque ela dá grande ensinamento para que não se repita o
mesmo erro. Por isso é importante a divulgação dos fatos passados. Sempre há
algo a aprender.
b) A
história ajuda a viver o presente.
Do ponto de vista bíblico, história é o
avanço da ação de Deus entre os homens, com finalidades especificas. O
filósofo Friedrich Hegel chegou a admitir que “a razão divina é que faria
a história, controlando totalmente o processo e seus resultados”. Assim,
é possível pensar em avivamento espiritual a partir de muita oração; é
possível ver vidas sendo salvas por meio de muito evangelismo; é possível
ter crescimento numérico de membros com um bom trabalho de consolidação; é
possível existir cristãos maduros com um excelente sistema de discipulado.
c) A
história leva a sonhar com o futuro.
Ter sonhos implica em acreditar no
futuro porque Deus realizou os sonhos de seus filhos no passado e Ele
continua o mesmo. Acreditar que o Senhor continua respondendo a oração
daqueles que chegam à Sua presença com um coração quebrantado e contrito.
Acreditar que o Espírito Santo pode promover um avivamento espiritual para
esta geração superior aos das décadas de 60 e 70 e que Jesus continua
libertando vidas e fazendo com que as igrejas vivenciem grandes crescimentos
como fruto da ação do Espírito Santo e do anúncio do Evangelho.
As lições ensinadas pela história
a)
Os
avivamentos são mantidos por jejum e oração.
A história costuma ser a mestra da vida, como afirmou Heródoto, mas somente
para aqueles que são bons alunos. Desde o dia de Pentecostes até os atuais,
a renovação espiritual sempre aconteceu sob intensos períodos de busca da
presença de Deus. Os cristãos ativos sempre foram os responsáveis pelos
fatos e acontecimentos que escreveram a história da manifestação do Espírito
Santo. Mas os crentes passivos esquentam os bancos das igrejas porque não
querem assumir o compromisso de trabalhar segundo a verdade de Cristo.
b)
A
Bíblia continua sendo a Palavra de Deus.
A cada época surge uma diversidade
de pensamentos religiosos, mas só sobrevivem, dentro do cristianismo,
aqueles que têm fundamentação bíblica. Afinal, Deus vela pela sua Palavra.
As pessoas que persistem na defesa de um ponto de vista contrário às
Escrituras Sagradas acabam por fundar uma seita. Aqueles que dogmatizaram um
pensamento humano e não buscam habitualmente renovação espiritual atrapalham
o crescimento do reino de Deus.
c)
Deus
sempre foi o Criador e Senhor de todas coisas.
O homem sempre teve liberdade
para escrever a sua história através de suas decisões e ações. Contudo, usou
essa liberdade para o mal e, se deu mal: a criatura ambicionou os poderes do
Criador. Esse princípio de vida já deveria ter sido aprendido pelo cristão:
somos servos e, em tudo, dependemos do Criador. Aqueles que já aprenderam
essa lição vivem submissos ao Senhor e têm a bênção do Altíssimo.
Conclusão
Muitos
vivem como se essa vida começasse e terminasse aqui mesmo, mas o apóstolo
Paulo ensina que ela é estágio de preparação para a vida definitiva, 1Co 15:
16-21; 35-54. Lições para a vida cristã é o que não falta dentro da história
do Cristianismo e da igreja em que você é membro. Mas apenas os alunos
aplicados, renovados e obedientes são os que conseguem aprendê-las. Seja um
bom aluno!
Publicado
no Jornal Aleluia de agosto de 2004
Direitos autorais
E ste artigo pode ser reproduzido livremente
para
fins pessoais,
sendo, porém, vedada sua publicação sem autorização formal da Editora Aleluia.
Do Dr. Pe. Ivo da Conceição e Souza
Margão - Goa
Gostei muito do artigo. O homem é
ser histórico. Deus entra na história humana e o guia. A Revelação
Cristã é histórica. Não se deve esquecer desta dimensão. Bem feito!
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