A música sempre exerceu forte influência
no comportamento do ser humano desde a antiguidade até os dias
atuais. A essência da música,
de conformidade com Aristóteles, é a mais moral
de todas as artes porque afeta diretamente o caráter.
Para Platão, a
música é um meio de
formação do caráter e de demonstração das frustrações das realizações
humanas, porque há um forte vínculo entre a música ouvida e a estrutura
interior de uma pessoa. O apóstolo Paulo afirma: “A palavra de Cristo
habite em vós abundantemente, em toda sabedoria, ensinando-vos e
admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos, e cânticos espirituais,
cantando ao Senhor com graça em vossos corações”, Cl 3: 16. Vamos pensar
um pouco sobre essa questão.
A atualidade da liturgia
brasileira
Liturgia é o conjunto dos elementos e práticas
do culto religioso instituídos por uma igreja, segundo o dicionário Houaiss.
Então, é tudo aquilo que acontece dentro do templo desde o instante em que o
culto é iniciado até o momento em que ele é finalizado. No Brasil, são
feitos cultos litúrgicos tradicionais e avivados. Ambos refletem a
realidade do caráter e do mundo interior da pessoa que participa e a linha
de liderança espiritual da igreja.
Os cultos avivados, pelo que se observa, são
os mais populares e, por conseguinte, os mais praticados atualmente. Eles
atraem mais às pessoas novas ou aqueles que julgam ter um espírito mais
jovem. Esse estilo envolve, além do cântico, a participação física através
de palmas, balanço do corpo e também do alto volume dos instrumentos
musicais.
Os cultos tradicionais têm como participantes
as pessoas que se acostumaram com a herança cultural religiosa passada pelas
gerações anteriores. Há forte tendência de evitar qualquer mudança
simplesmente pelo fato de terem sido feitos sempre daquele jeito. Nesse
caso, o legado é considerado muitíssimo importante a ponto de evitar
qualquer tipo de mudanças. Entretanto, essa forma de liturgia estática e
padronizada não está sendo bem aceita pela atual geração de cristãos e,
gradativamente, vai sendo substituída por uma mais avivada, que contém uma
linguagem mais atual, mensagens mais contextualizadas e estilos musicais
mais aceitos
A
influência humana na liturgia
As liturgias avivadas e as tradicionais têm o
mesmo objetivo que é o de adorar a Deus “em espírito e em verdade”.
Porém a influência do homem é muito grande em ambos os casos. Por isso,
muitas vezes, parece que os homens estão controlando o mover do Espírito de
Deus. É como se estivessem dizendo ao Senhor como Ele deve agir no meio de
seu povo ou decidindo, junto ao povo, qual forma de louvor agrada ou não ao
Senhor. Isso é um reflexo do interior humano, por certo medo de que o culto
não aconteça da forma como gostariam que fosse ou como planejaram.
Assim, no Brasil, vive-se hoje um processo de
adaptação entre o antigo e o novo e isso, às vezes, tem causado dissabores
entre cristãos. A forma de adoração nem sempre tem sido a causadora direta
de divisões denominacionais, como ocorridas no passado ou na atualidade da
igreja brasileira, mas algum mal-estar pode ser sentido. Por isso é
necessário estar alerta para as novas ideias e formas de culto que vêm
surgindo e penetrando sorrateiramente na Igreja. É preciso questionar e
verificar até que ponto existe a influência humana ou até que ponto existe a
divina.
Nosso estilo de culto precisa, é verdade, ser
sempre contextualizado à realidade sociocultural da comunidade, porém sem
ferir os princípios básicos da fé cristã. Não devemos confundir os métodos
de Deus com os métodos humanos. Em ambos os estilos de liturgia é
fundamental separar o joio do trigo e oferecer o melhor que temos para o
Senhor Todo-poderoso.
Tendências pós-modernas na liturgia
Os sentimentos e, muitas vezes, as práticas de
vida das pessoas são determinadas por aquilo que elas ouvem. Aristóteles já
dizia: “... as emoções de toda espécie são produzidas pela melodia e pelo
ritmo: através da música, por conseguinte, o homem acostuma a experimentar
as emoções certas: tem a música, portanto, o poder de formar o caráter, e os
vários tipos de músicas, baseados nos vários modos, distinguem-se pelos
efeitos sobre o caráter – um, por exemplo, operando na direção da
melancolia, outro na da efeminação, um incentivando a renúncia, outro o
domínio de si, um terceiro, o entusiasmo, e assim por diante, através da
série”.
Há dois métodos de cultuar a Deus que estão
chamando a atenção: o “louvorzão” e a “cristoteca”. São estilos mais
modernos, porém têm suas falhas, pois neles a Palavra de Deus quase não tem
ênfase nem lugar.
No louvorzão o que vale é louvar, é dançar, é
ser espontâneo nos momentos de manifestar seus sentimentos positivos para
com o Senhor. A forma como isso acontece não tem muita importância. A Bíblia
orienta fazer tudo com “ordem e decência”, 1Co 14: 40. É obvio que
isso não implica em ficar engessado dentro da igreja.
A cristoteca é algo mais recente e seus
defensores afirmam que é um espaço que tem como objetivo atrair os jovens
que se desviaram do Evangelho por causa dos lugares que frequentavam como a
discoteca, onde se toca a música satânica, rolam drogas e prostituição. Seus
defensores insistem em afirmar que é uma noite de muita oração através da
música e da dança.
Considerações finais
Aceitando as práticas recentes de louvor, a
igreja de Cristo se torna liberal e sem raízes alicerçadas dentro da Bíblia.
Nelas o que se vê é muito movimento e pouca essência, muito ruído e pouca
mensagem. Por isso, a Igreja precisa estar atenta quanto ao seu estilo de
culto. A liturgia praticada e a qualidade dos cânticos definem a linha
espiritual da Igreja.
O equilíbrio, nestes tempos, é fundamental.
Felizmente há muito louvor novo, porém equilibrado, edificante. O estilo de
culto pode ser moderno, porém, contendo os mesmos valores que sempre foram
prezados no passado, desde o Antigo Testamento, o Novo Testamento, na idade
média, no período da reforma e, daí, até os dias de hoje. A igreja vigilante
e bíblica precisa pôr-se em guarda quanto ao seu louvor.
...................
Cícero
Duarte de Sales é pastor da IPRB desde 08/12/2003.
Detentor do Prontuário número nº 1.226
Pastor da IPR de Comodoro, MT.
Artigo inserido no site em abril 2007.
Publicado no Jornal
Aleluia de março de 2007.
Página atualizada em
12/05/2011.
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artigo pode ser reproduzido livremente
para fins pessoais, sendo, porém, vedada sua publicação
sem autorização formal da Editora Aleluia.
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Do Pr. Wanderson Franco
Igreja Presbiteriana Renovada
Pirassununga, SP
Diante da
complexidade do assunto, e de se entender que se caminha por
terreno demasiadamente escorregadio, ficam registradas as
saudações pela ousadia e motivação.
Contudo, ao ler tal artigo, sinto-me impelido a fazer algumas
considerações, enfocando os termos "avivados" e "tradicionais".
Ao se referir a esses dois grupos existentes no Cristianismo
protestante, faz-se necessário muita cautela, pois jamais pode
ser sugerido que os cultos tradicionais sejam obsoletos e
anacrônicos, pois há cultos tradicionais também avivados e muito
avivados.
Fica em questão o conceito de avivamento que se espera.
Sabe-se que o maior avivamento é sempre fruto de um coração
arrependido. Então, indubitavelmente, o termo "avivados"
aplicado às extravagâncias atuais de cultos é equivocado, pois
onde houver arrependimento genuíno, tanto nos chamados segmentos
tradicionais ou pentecostais, ali está acontecendo um
avivamento.
Sendo assim, todo cuidado é pouco quando o assunto é advogarmos
que nosso posicionamento é melhor que o dos outros, lembrando
que, por mais bagunçada que seja uma igreja, ali há uma liturgia
que supre necessidades locais. Em suma, o tema do louvor nas
igrejas, hoje, é de uma amplitude considerável e melindrosa.
Do Presb. Dr. Paulo Roberto Silva
Ministro de louvor da
Segunda IPR de Osasco
Osasco, SP
Respeito a opinião do senhor neste
estudo, concordo em alguns pontos, todavia, preciso fazer
algumas considerações:
1 - A Bíblia não especifica qual a maneira correta de adorarmos
a Deus com louvores, seja de modo tradicional, seja de modo
avivado, clássico, sertanejo ou rock.
2 - Devemos nos lembrar que todos os salmos foram composições
para serem cantadas com instrumentos em Israel. Havia salmos de
adoração, de pranto, de lamento, salmos proféticos, etc. Este
era o hinário de Israel.
3 - O grande segredo do período de adoração é que
os ministros de louvores das igrejas precisam ter uma vida
de separação e comunhão com Deus, para que, no momento do
louvor, as canções possam ser direcionadas por Deus
para que essas estejam adequadas ao momento que determinada
congregação está atravessando.
Se for um momento de dificuldade, provavelmente o Espírito Santo
inspirará o ministro a louvar a Deus com canções proféticas de
restauração, etc. Se a igreja estiver em um momento de grande
vitória, provavelmente os louvores serão de gratidão e adoração.
Por isso não devemos julgar a maneira que as pessoas adoram ao
Deus, pois se for o momento de júbilo e alegria, a dança é
bíblica, a espontaneidade é bíblica. Ora, Davi dançou, Miriã
dançou...
Júbilo significa gritos...
Finalizando meu entendimento, melhor seria que nosso jovens
estivessem dançando e pulando em nossas igrejas como forma de
adoração a Deus, do que muitos que saíram devido ao julgo pesado
e a religiosidade que os calaram e os alocaram no mundo.
Assim diz a palavra do Senhor no Salmo 100:
1 [Salmo de louvor] Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as
terras.
2 Servi ao SENHOR com alegria; e entrai diante dele com canto.
De Luiz Junior 5ª IPR de Governador Valadares Gov. Valadares, MG
Parabenizo-o pelo artigo e venho aqui expressar minha opinião,
pois vejo que a Igreja vem sendo "assaltada" dia após dia, pois
os princípios bíblicos relacionados a louvor e adoração têm dado
lugar a mudanças mundanas na cultuação de nosso Deus. Práticas e
conceitos mundanos vêm-se infiltrando no meio da Igreja. Vejo de
fundamental importância que as igrejas instituam um ministro de
louvor e adoração.
O que acontece quando Deus não é o centro? É possível isto
acontecer? Infelizmente isto já tem acontecido muito no cenário
evangélico mundial. O que ocorreu com nações que outrora eram
modelos de fé para o mundo? O que aconteceu com ministérios
outrora tão usados por Deus? Com toda certeza, em algum momento
tiraram o Senhor do centro. Isto é possível acontecer.
Mas o Senhor deve influenciar nossas motivações. Todo
planejamento deve apontar para a glória de Deus. Em várias
passagens da Bíblia conseguimos ver que o propósito de um
ministério é centralizar a pessoa e a vontade de Deus (Rm
11.36). O próprio Jesus tratou fortemente com a igreja de
Laodiceia. Jesus já não estava nem dentro daquela igreja, quanto
mais no centro dela. Ele estava fora, batendo à porta (Ap 3.20).
Davi edificou um precioso ministério musical. Foi uma época
muito singela em Israel. Um tempo de muita prosperidade e
manifestação da glória de Deus. Davi, além de rei, era músico e
muito sensível a esta área (1Sm 16.16-23). Ele sabia que um bom
ministério musical poderia cooperar bastante para honrar seu
Deus e abençoar a nação. Davi foi muito zeloso com as coisas do
Senhor. Ele sempre se preocupou em fazer o melhor. Por mais que
isto lhe custasse algum preço ou sacrifício (1Cr 21.24).
Que maravilha quando um músico é um verdadeiro seguidor de
Jesus! Um músico que nasceu de novo, que está aprendendo a
obedecer a seu Senhor e, por isso mesmo, a cada dia se torna
mais semelhante a Jesus.
Creio que o Pastor irá concordar que, tentar pastorear um músico
que ainda não é um verdadeiro seguidor de Jesus é uma tarefa
extremamente penosa, para não dizer impossível.
Quando o homem e sua vontade passam a ocupar o centro
de um ministério e até da igreja, tudo começa a ir por água
abaixo. Quando o homem está no centro, o doce passa a ser amargo
e o amargo passa a ser doce; o bem passa a ser mal e o mal, bem;
a escuridade passa a ser luz e a luz, escuridade. O profeta
Isaias foi enviado por Deus para corrigir isso em Israel (Is
5.20).
Tudo deve ser feito para a glória do Senhor. O ministério de
música é uma importante ferramenta, para mostrar a direção
certa, o alvo, o centro de tudo, que é o Senhor. Jesus é o
centro. Um ministro de louvor tem de checar a "certidão de
nascimento espiritual" de seus músicos. Esta atitude nos poupa
muito trabalho e muitas dores. Quando um ministério de música
não é profético, ELE NÃO PASSA DE ENTRETENIMENTO para a igreja.
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