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Hinologia: a música
na liturgia cristã


Comentários


Pr. Wesley Nazeazeno
Arapongas, PR

“Falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais,
cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”
, Ef 5: 19.
 

Uma das características mais marcantes em todos os períodos de avivamento da Igreja é a música. Em momentos de profunda devoção e de fervor espiritual, servos de Cristo têm sido inspirados a cantar a Deus, a louvar através de letras e melodias harmoniosas as maravilhas do Evangelho. Exemplo disso é o hino “Castelo Forte”, de Martinho Lutero, composto em sua prisão domiciliar. Podemos também imaginar, com base nessa experiência de Lutero, a beleza de hinos cantados por pessoas em situações de crise, como a vivida por Paulo e Silas, em Atos 16: 25.

A música na história da Igreja

É certo que os hinos fizeram parte da história da Igreja e sempre exerceram papel importante na liturgia.

A igreja primitiva, vinda recentemente do Judaísmo, e ainda sofrendo muita influência dele, tinha como hinário o livro dos Salmos. Os textos de Efésios 5: 19 e Colossenses 3: 16 são duas passagens que exemplificam o lugar dos cânticos nos cultos da igreja antiga. A maior parte dos estudiosos acredita que a expressão “salmos, hinos e cânticos espirituais” se refere a uma só coisa: os belos cânticos dos Salmos.

Embora os Salmos fossem a preferência musical da igreja do primeiro século, havia ainda os cânticos compostos pelos próprios cristãos, sendo que alguns deles se tornaram bem conhecidos no mundo de então e, através da Bíblia, podemos conhecê-los hoje. Muito provavelmente Paulo citou um deles em Efésios 5: 14. Seria esse um corinho primitivo de três versos?

A relação entre música e discipulado

É bem verdade que os cânticos exerceram também um papel discipulador. Eles ensinavam as bases da fé cristã e eram pequenas confissões de fé populares.

Ainda não muito distante da igreja primitiva, Ambrósio, por volta do século IV d.C., foi grande compositor. Seus métodos de composição musical ainda são conhecidos. O método chamado de “ambrosiano” é de oito estrofes de quatro linhas cada. Ambrósio repassava para os hinos suas alegrias em Cristo, comunicava todo seu prazer perante a grandeza de Deus e a obra realizada através de Seu filho.

A hinologia hoje

Na fase atual da Igreja percebe-se um esfriamento no uso de hinos bíblicos nos cultos. No período da Reforma, século XVI, Calvino afirmava que nenhuma forma de adoração a Deus, por mais bem-intencionada que fosse, mas que não estivesse na Bíblia, teria de ser descartada. Desta forma, ele e seus sucessores procuravam cantar salmos e outros versos da Escrituras.

Os cânticos que entoamos em nossas reuniões não são como aqueles que vemos fora da igreja. Eles não devem ser instrumento de busca de prazer para nós. O enfoque não é esse. A música entoada na igreja deve direcionar o cristão a adorar a Deus. Esse sim é o alvo. Esse é o lugar da música na liturgia.

Concluindo, cantemos desde já o hino que cantaremos na glória: “Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor, Deus Todo-poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos!”, Ap 15: 3.

  Publicado no Jornal Aleluia de março de 2007

 


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   Comentários dos leitores

Do Pr. Jeferson Rodrigues França - Londrina, PR

O artigo tem muito a ver com a nossa realidade, pois os cultos de hoje estão mais voltados ao engrandecimento humano do que divino, principalmente no que se refere aos louvores, sendo que, na verdade, o princípio básico do culto é ofertarmos a Deus nosso sacrifício com louvores, salmos, ofertas. Louvo a Deus por este artigo, pois tem registrado o objetivo central que é a "a glorificação a Deus".                                       

De Aroldo da Silva - São Félix do Araguaia, MT 

Embora não tenha muita intimidade com a internet, hoje DEUS, sabendo do desejo do meu coração, me levou a encontrar o que eu mais tenho almejado nos últimos dias: encontrar informações sobre um HINÁRIO ALELUIA CIFRADO. E também encontrei o site da Igreja Presbiteriana Renovada. Sou novo membro e, graças ao meu maravilhoso Deus, estou fazendo parte desta nova família. Minha carteira de membro é datada de 04/02/2007, e é aqui da IPR de São Félix do Araguaia - MT. Já estou fazendo parte da equipe de louvor, canto, toco violão e guitarra. E, nesse momento, radiante de felicidades, por ter encontrado o que realmente eu procurava, estou lendo o artigo "A Música na Liturgia Cristã". Só posso dizer, expressando tudo que sinto: Deus está no controle mesmo! Aleluia!

Do Presb. Levi Antonio Alves - IPI de Osasco, SP                   

Excelente artigo escrito pelo rev. Wesley Nazeazeno. O querido pastor está de parabéns. Apesar de sucinto, o artigo traz excelente base bíblica e histórica, o que nos leva à reflexão. Os maiores erros da humanidade, e lamentavelmente também da igreja, geralmente se dão pelo desprezo à história. Como o rev. bem colocou, a visão do reformador Calvino, patriarca do presbiterianismo, era de um culto que agradasse a Deus e não a nós mesmos. Infelizmente, muitos têm desprezado cânticos maravilhosos que a Igreja cantou ao longo da história, para enveredarem-se após cânticos que só fazem bem ao corpo e não trazem bem algum à alma, muitos ligados aos modismos e até mesmo a movimentos heréticos. Não que não devamos louvar a Deus com músicas atuais, muitas delas lindíssimas e ligadas à nossa cultura, porém devemos selecionar o que cantamos. Analisar a letra. Quais as bases bíblicas e teológicas do que estamos cantando, e assim apresentar a Deus um louvor que agrade a Ele. SOLI DEO GLORIA! 

De Rodrigo Jerônimo Alves Parreira - Goiânia, GO

Ao ler este artigo pude constatar que algo extraordinário começa a surgir no seio da IPRB. A valorização de cânticos bíblicos, como são os do nosso Hinário Aleluia, faz-se notar em algumas igrejas locais. Concordo plenamente com o Pr. Wesley Nazeazeno quando diz que não devemos procurar agradarmos a nós mesmos quando entoamos cânticos de louvor. Os hinos trazem doutrina, lições para a vida prática e contam-nos coisas da Bíblia. Sou da 14ª IPR de Goiânia e é com muito orgulho que cantamos os hinos do Aleluia, sempre!  Rodrigo Jerônimo Alves Parreira - Goiânia, GO
 


Atualizado em 12/05/2011