Simonton nasceu em West Hanover, estado da Pensilvânia, nos EUA,
sendo o
nono e último filho de um conceituado médico, deputado federal e
devoto cristão. Ao batizarem o filho, os pais o dedicaram a Deus e
ao ministério do evangelho. Sendo muito honesto consigo mesmo, não
se sentia um bom cristão.
No seu diário, transcrito em parte no
livro “Simonton”, podemos ver sua luta interna. Aos 22 anos,
sentiu uma necessidade de buscar seriamente a Deus pela oração e
cuidadosamente leitura da Bíblia. Fez então sua pública profissão
de fé e seguiu para o seminário de Princeton. Durante o curso, a
idéia de ser missionário não o deixava em paz, até que escreveu à
junta de missões se oferecendo para trabalho no Brasil.
Depois
de 54 dias num barco a vela, Simonton entrou na baía de Guanabara.
Era agosto de 1859. Diz o seu diário: “É difícil descrever as
emoções com que saudei esses píncaros elevados (o Pão de Açúcar e
Corcovado). O sentimento predominante é de alegria, pela conclusão
feliz da longa jornada, aliado ao temor da grande responsabilidade
e dos problemas dos trabalho que me espera”.
A primeira tarefa a que se dedicou de corpo e alma foi a de
aprender a língua portuguesa. Procurava conversar tanto com
adultos como crianças, sempre estudando e se aprimorando, até que
dominou o português tanto na fala como na escrita. Este fato muito
contribuiu para o sucesso do jornal “Imprensa Evangélica”, cujo
primeiro número foi publicado em novembro de 1864.
Entre as metas
cardinais para a implantação do reino de Jesus Cristo no Brasil,
Simonton realçava a importância de literatura evangélica. “A
Bíblia, e também livros e folhetos evangélicos, devem inundar o
Brasil. É impossível envolver um país tão vasto sem o auxílio da
palavra impressa “. Muitos liam e reliam a “Imprensa Evangélica”,
na qual Simonton publicava editoriais e seus sermões, além de
contribuições de outros. Passados muitos anos, ainda havia um
crente chamado Juca, que morava no Rio das Antas e ainda
preservava sua coleção, recitando de memória trechos dos sermões
de Simonton.
Em seu primeiro ano no Brasil, iniciou uma Escola Dominical com
os filhos de amigos e vizinhos. Em seu diário escreve: “Este é o
primeiro ano completo que passo no Brasil. Essa escola, algumas
Bíblias e folhetos postos em circulação, constituem o conjunto do
meu trabalho entre os brasileiros. Sinto a minha falta de fé e oro
por sucesso. Almejo por pregar Cristo mais experimentalmente por
ser capaz de falar daquilo que conheço, porque Cristo o revelou a
mim”. Não tardou a fundação de uma igreja em 1862, recebendo duas
pessoas por pública profissão de fé.
Nesse ano Simonton fez uma viagem aos EUA para ver sua mãe
enferma e prestar relatórios às igrejas. Também conheceu Helen Murdoch, com quem se casou em março de 1863. O diário diz: “Para
mim, meu futuro lar no Brasil colore-se de cores vivas. Dou graças
a Deus por me ter provido graça, coragem e amor no coração daquela
a quem dediquei afeições, a ponto de se dispor a separar-se de
amigos, do lar e da terra natal, a fim de compartilhar da minha
vida o dos meus labores”.
Voltaram ao Brasil. Foi um ano de
alegrias inéditas até o nascimento de sua primeira filhinha. Nove
dias depois, diz o diário: “Que Deus tenha misericórdia de mim,
pois águas profundas rolam agora sobre minha alma. Helen jaz num
caixão, na sala. Deus a tirou tão rapidamente que tudo ainda parece
sonho”. Depois de algum tempo a pequena Helen foi para a casa dos
tios, missionários em São Paulo. O versículo que sustentara
Simonton no passado ainda falava ao seu coração: “Deus não é Deus
dos mortos, mas dos vivos”.
Simonton, agora mais que nunca, vivia pelo trabalho de
compartilhar Cristo. Nesta época o padre José Manoel da Conceição
professou a sua fé em Cristo e foi batizado. Simonton e conceição
foram grandes colaboradores no trabalho de implantação da igreja
nestes primeiros tempos, cooperando também na “Imprensa
Evangélica”, cuja influência não foi alcançada por nenhuma outra
agência empregada pela missão.
O ano de 1865 viu a organização do
primeiro presbitério e o Sr. Conceição foi ordenado o primeiro
ministro presbiteriano brasileiro. Nesta época, quando o
Presidente Lincoln foi morto, Simonton pregou o sermão usando como
texto o salmo 46:1-3. sermão que tocou os corações de crentes e
descrentes.
No final de 1866, diz o diário: “No retrospecto de minha
própria vida durante o ano que agora se finda, sinto-me culpado.
Aponto algumas obras realizadas da melhor maneira possível, mas em
medida tenho eu progredido na direção do céu? Aí é que me sinto em
falta. Não consigo ir além da prece do publicano ‘Tem misericórdia
de mim, pecador’. Como suspiro por um coração inteiramente
dominado por Cristo!”
Fundou no Rio a primeira Escola Dominical e Igreja
Presbiteriana, um jornal, um presbitério e, agora, um seminário
para alcançar uma outra meta principal: “ a formação de um
ministério nacional idôneo, isto é, pastores brasileiros para
brasileiros”. Cristo certamente o vinha dominando.
Sem o saber, chegara ao seu último ano de ministério. No prédio
da igreja no Rio funcionava uma escola primária com 70 alunos.
Escolas para os filhos de crentes também eram uma meta principal.
Continuava a viajar pelo interior, pregando e zelando pelo
testemunho fiel de cada membro e pela evangelização pessoal, cada
crente comunicando o evangelho a outra pessoa.
Em seu dia a dia,
Simonton vivia o que pregava. Neste curto ministério de oito anos
recebeu 80 pessoas na igreja, fruto visível de uma vida consagrada
a Deus. Em dezembro de 1867, contando somente com 34 anos,
Simonton morreu em São Paulo, vítima de febre amarela. Dois dias
antes de sua morte, sua irmã perguntou se tinha alguma palavra à
sua igreja no Rio. Simonton replicou: “Deus levantará alguém para
tomar o meu lugar. Ele usará os seus instrumentos para o Seus
trabalho”. E assim o tem feito. Louvado seja o Senhor!