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MANIFESTO À IGREJA PRESBITERIANA INDEPENDENTE 
 

Documento firmado em Bauru, SP, datado de 03 de fevereiro de 1972. Encaminhado por pastores da IPI ao seu Supremo Concílio, revela a inconformação e o posicionamento que iriam dar início ao surgimento da Igreja Presbiteriana Independente Renovada do Brasil e, posteriormente, concorreria ao surgimento da IPRB.

 

“Nós abaixo assinados, alicerçados na palavra de Deus, única regra de fé e prática, protestamos e rejeitamos a ultima resolução do Supremo Concílio, em sua reunião de 21 de JANEIRO DE 1972, em BRASÍLIA, como contrária ao ensino contido e revelado pelo Espírito Santo na bíblia, pois nas normas Constitucionais, e Legais da I.P.I do Brasil, está escrito:

a.      art. 2 –“a Igreja adota a forma Presbiteriana de governo, tendo como regra única e infalível de fé e pratica as Santas Escrituras do Antigo e Novo Testamento e, como sistema doutrinário, a Confissão de Westminster, etc.

b.     A Confissão de Fé, por sua vez, esclarece; capítulo XX-II: “Só Deus é Senhor da consciência, e ele a deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que em qualquer cousa, sejam contrárias à sua palavras, ou que em matéria de fé ou de culto, estejam fora dela. Assim crer tais doutrinas ou obedecer a tais mandamentos como cousa de consciência é trair a verdadeira liberdade de consciência: e, requerer para elas, fé implícita, e obediência cega e absoluta é destruir a liberdade de consciência e a mesma ração”.

c.     Todos as decisões dos Concílios devem harmonizar-se com a revelação  divina. A consciência não se deve sujeitar-se a essas decisões, se foram contrárias à palavra  de Deus.

d.     O supremo Juiz de todas as controvérsias em matéria religiosa é o Espírito Santo, falando na e pela Escritura, por esta, pois, devem se julgar todas e quaisquer decisões dos Concílios e toda e qualquer doutrinas ensinadas por homens.

e.      Todos os Sínodos e Concílios, desde o tempo dos Apóstolos, quer gerais, quer particulares, tem errado; eles portanto não devem constituir regra de fé e prática.

f.       No voto tomado na ordenação pelos Ministros Presbíteros e Diáconos, como se acha na forma de governo, exige que eles recebam e adotem a Confissão de Fé, somente como contendo o sistema de doutrina ensinado nas Santas Escrituras.

g.     A igreja Presbiteriana, coloca a Bíblia em primeiro lugar. É ela só que deve obrigar a consciência.

A resolução, pois, do Supremo Concílio, procurou sair na tangente, quando esquivando-se à discussão do problema, enquadrou o nosso avivamento espiritual nas doutrinas pentecostais como se nós houvéssemos adotado esses padrões; fechou simplesmente os olhos para não ver que o avivamento que está acordando a Igreja alicerça-se unicamente na palavra de Deus, sem quaisquer imitações.

 

VEJAMOS

Proibe profecias e línguas.
Veja-se, porém, o que ensina a palavra de Deus:

a.      Releia-se ICor. 12:1. “Acerca dos dons espirituais, não quero irmãos que sejais ignorantes”.

b.     I Cor. 14:14 – “Procurai com zelo os dons espirituais”...

c.     I Cor. 14:12 – “Assim também vós como desejais dons espirituais, procurai abundar neles para a edificação da Igreja”.

d.     I Cor.12:28 – “E a uns pôs Deus na igreja primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”.

e.      “Mas a manifestação do Espírito Santo é dada a cada um para que for útil (ICor.12:7; “ a outro, a variedade de línguas” (Cor.12:10); a outro a interpretação das línguas (ICor.12:10, ultima linha), mas um só e o mesmo espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. (I Cor. 12:11).

f.       “Eu quero que todos vós faleis em línguas estranhas, mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala línguas estranhas, a não ser que também interprete para que a igreja receba a edificação (ICor.14:5).

g.     “Não proibais falar línguas (ICor.14:39).

h.     “São mandamentos do Senhor” (I Cor.14:37)

i.        A confissão de Fé, capítulo XXX -IV falando do Espírito Santo, adverte: “ Ele chama... e concede vários dons e graças aos demais membros”.

j.        Hebreus 2:4 – “Testificando também com eles, por sinais e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade”.

Estará uma “Denominação” acima da palavra de Deus, nossa única regra de fé e pratica? Evidentemente que não.

A resolução do Supremo Concílio COMBATE os dons, dizendo que eles são da época apostólica, nós, entretanto, podemos testificar que eles são atuais, porque somos testemunhas do derramamento sobre nós, quando uma noite, orávamos, após o culto, no salão anexo ao templo, (mais ou menos 40 pessoas), de repente o poder de Deus caiu sobre nós com manifestação de cânticos espirituais em língua, e no mesmo instante, outro já interpretando, para em seguida uma mensagem em língua com interpretação. Ficamos perplexos, pois nunca tínhamos ouvido línguas estranhas, e nem freqüentado Igreja Pentecostal. Foi repentino, inesperado e maravilhoso! Nos prostramos, clamando, chorando, quebrantados! Quando, nós nos levantamos, éramos outros, um profundo amor nos unia, um gozo inefável nos dominava. As lágrimas corriam sem que pudéssemos refreá-las.

Poderão os Teólogos de toda a terra  proclamar que as línguas cessaram, mas nós somos agradecidos pela abençoada experiência que mudou a nossa vida.

Agora temos certeza que outros servos, através dos séculos, passaram por esta segunda bênção: MOODY, FINNEY, WESLEY, GORDON, TERTULIANO, IRINEU, AGOSTINHO,  a experimentaram também, tendo o último deixado escrito: “ainda fazemos o que os apóstolos fizeram, quando impuseram as mãos sobre os samaritanos e invocaram o Espírito Santo sobre eles, mediante a imposição das mãos. Espera-se que os convertidos falem novas línguas”.

Recorde-se a sabia advertência de H. Ironside (Pastor da Igreja Moody e Prof. do Instituto Bíblico Moody):

 “Alguns insistem que os dons cessaram inteiramente, mas eu desconheço qualquer escritura que diga que a época dos milagres passou, e eu não ousaria afirmar que os sinais e dons terminaram com a prisão de Paulo. Antes eu sei, pela história da Igreja, que tal não é verdade. Somos informados que aos Coríntios  “não faltou nenhum dom” mas vemos no livro de Atos que com o passar do tempo a Igreja começou a perder sua consistência, e vieram dissensões e outras coisas, e essas entristeceram o Senhor, e então houve mais reserva de sua parte, na dispensação dos dons. Isso eu creio, explica a carência de muitos daqueles dons em nossos dias. A igreja, à medida que acentuava o seu divórcio,  foi se enchendo de dissensões, divisão, mundanismo, carnalidades, que impedem que o SENHOR tenha deleite em derramar sobre ela os seus dons, como faria no princípio”.

 Rejeitamos, outrossim:

a.      A proibição de orar pelos enfermos: Tiago 5:14 “está alguém entre vós doente, chamem os Presbíteros da Igreja e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor Jesus”. Tiago 5:15 – “ E a oração da fé salvará o doente e o Senhor o levantará”.

b.     Marcos 16:18 – “... e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão”. Este, aliás, foi um dos sinais com que Jesus, antes de subir para os céus, marcou aqueles que haveriam de crer nas suas palavras.

O ensino é claro, mas os pastores que são incrédulos, o proíbem!

Entretanto, nós somos testemunhas de que Deus, (louvado seja) atende as orações, pois muitos foram curados. Os adeptos da parapsicologia devem saber que o pai dela reconheceu que onde começa o sobrenatural, cessa a parapsicologia.

c.     Rejeitamos ainda, a proibição de saudação com “A paz do Senhor” – “Aleluia”. São Paulo a usava largamente. A proibição é simplesmente ridícula, máxima, decretada porque os pentecostais a usavam. Neste caso: nada de Bíblia, nada de Pai nosso e nada de oração. Obediência, pois a mandamentos dos homens, imbuídos de racionalismo incrédulos, amantes de si mesmos, negadores da palavra de Deus, nunca podemos acolher.

Devia o supremo Concílio entender que isto não é um simples impacto emocional, mas sim, experiência santa que dá força, alento no prosseguimento da luta contra o pecado, o mundo, e as trevas; com a Bandeira levantada no poder do Espírito Santo que fortalece e guia, consola, - “vivendo em Cristo” – e – “Cristo vivendo em nós”- até que Ele venha, pois, o nosso ideal agora é dar cumprimento às ordens de Jesus – “Ide e pregai”... e com a graça, de Deus nos foi possível trazer para a Igreja em dois anos e meio de avivamento, 170 convertidos! “Aleluia”!

Protestando ainda, lamentamos que o Sr. Presidente do Supremo Concílio, após ter advertido, em plenário, um Ministro bebedor de cerveja, lembrando-lhe que devia ser “exemplo dos fiéis”, logo depois, num restaurante, junto com seus auxiliares diretos, fossem todos surpreendidos num ruidoso banquete comemorativo da “vitória” saboreando “vinho”!, em flagrante farisaísmo: pois que, eles mesmos acintosamente, usam o que proíbem, o que importa repetir na prática, o velho refrão: - “façam o que eu mando, mas não façam o que eu faço”, “dois pesos, duas medidas”! “Dizem e não praticam” (Mat. 23:3), “condutores cegos que coais um mosquito e engolis um camelo” (Mat.23:25)

Que autoridade tem pastores assim tão amantes de si mesmos, que pregam a palavra de Deus e não a praticam?

Portanto, rejeitamos a resolução do Supremo Concílio: o problema não é pentecostismo – É DOUTRINÁRIO. Continuando, porém, Presbiterianos Independentes, ala Renovadora, prosseguiremos na luta pela “Coroa Real do Salvador”, desvinculados das tradições humanas, contrária à Palavra de Deus, as quais também repudiamos; declaramos, outrossim, aceitar o ensino a respeito dos dons espirituais e práticas registradas em I Cor. 12 e14; à oração pelos enfermos (Tiago 5:15 e15) e , à saudação “A paz do Senhor”, “Aleluia”, e o nome do servo, pois que, todos são ensinamentos bíblicos, enquanto que os cânticos, corinhos e hinos, são louvores que expressam o sentimento da alma redimida, e agradam a Deus.

Lutaremos por Ministério realmente vocacionado, com forte preparo bíblico, por homens de fé e de oração, e, não, apenas por cérebros revestidos de cultura humana; não compreendemos pastores sem paixão pelas almas que perecem, de Ministério dividido sem real interesse na pregação da palavra; utilizam a maior parte do seu tempo a correr atrás dos seus interesses seculares, reservando a Cristo apenas o “resto”. Queremos, portanto, pastores sem a dupla profissão, que amem a santificação do “dia do Senhor” e a sua próxima segunda vinda, assim como a Igreja militante, sem mundanismo.

Conclusão:

                  Sê corajoso e forte é a ordem do Senhor. Prossigamos portanto. O avivamento trouxe-nos tantas bênçãos, que não há como diminuir-lhe os passos."

 

BAURU, 03 de fevereiro de 1972

 

Documento do arquivo pessoal do Pr. Francis Farias da Silva.  Cópia autêntica do original, onde havia um total de seis assinaturas, algumas legíveis e outras não.

 


 




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Atualizada em 19/03/2010

 

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