SC: Como está sendo o relacionamento da
IPRB
com as demais igrejas evangélicas no Brasil?
Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus -
O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e
ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem
bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria
uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram
isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como
irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado
em nosso meio.
SC: O que poderia ser feito para que
as
igrejas evangélicas se tornassem mais unidas?
Presidente: É possível ser a Igreja de
Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja
respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até
acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a
Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim
acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É
preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo
conhecido, Jo 17: 21.
SC: Como o Senhor avaliou o resultado
do
Censo sobre o crescimento dos evangélicos?
Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja
evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse
crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um
grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação.
A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do
Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se
converterão e os milagres serão uma consequência dessa bênção.
SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira
será o celeiro de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?
Presidente: Creio que sim. O brasileiro é
sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo
para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho
ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja
missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que
ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus
requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.
SC: Como o irmão avaliaria a IPRB após
as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembleia?
Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja
vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou
regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e
foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber
que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus
líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa
bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus
disse: "santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade", Jo 17: 17.
Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.
SC: Com isso, a Igreja tem-se
demonstrado
madura e compromissada com o reino?
Presidente: Tudo indica que sim. A própria
Assembleia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria
demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou maturidade
e firmeza por parte das lideranças. Tenho visitado Presbitérios e visto que as igrejas
estão alegres, firmes e preocupadas com a evangelização de vidas.
SC: Considerando estes 27 anos de
organização,
pode-se afirmar que a IPRB é uma Igreja estruturada?
Presidente: Claro que sim. Somos uma igreja
equipada. Temos dois Seminários, que se empenham na formação de obreiros com bom nível
cultural e espiritual; uma Editora que vem produzindo obras de qualidade, o jornal que
serve como instrumento para amalgamar a denominação, as Revistas de EBD, que oferecem
segurança doutrinária para a Igreja e todo tipo de material para as secretarias. Na
área de missões, a Missão Priscila e Áquila tem realizado excelente trabalho.
A Renovada é hoje uma igreja reconhecida e
conceituada. No dia 28 de fevereiro deste ano, por exemplo, a Câmara de Deputados de
Brasília homenageou a IPRB por seus 27 anos de organização no Brasil. Neste ano
recebemos a visita de líderes da Knox Fellowship, um grupo de renovação da Igreja
Presbiteriana dos Estados Unidos, voltado ao treinamento para evangelismo e discipulado de
Igrejas locais e presbitérios, que se mostraram interessados em estreitar relações com
a IPRB e já nos convidaram para participar de reunião da Diretoria da Knox nos Estados
Unidos, o que faremos no próximo mês de agosto.
SC: Quais os projetos para o crescimento
da denominação?
Presidente: A Diretoria Executiva, em sua
última reunião, lançou um projeto que envolve todos os presbitérios, instituições,
pastores e lideranças da IPRB. Esse planejamento que visa ao crescimento e à
dinamização das igrejas precisa ser levado a sério. Agir como a igreja dos tempos
primitivos, ou aquela que não esteja enclausurada entre quatro paredes deve ser o sonho
de cada pastor ou liderança. Uma estratégia forte que a Igreja Primitiva aplicava eram
as reuniões de casa em casa. Ainda hoje, essa estratégia, que tem recebido os mais
diversos nomes, poderá ser o ponto chave de crescimento da obra de Deus.
SC: O que cada igreja ou cada
Presbitério poderia
fazer para que a IPRB se tornasse mais contextualizada?
Presidente: Poderia procurar servir-se mais dos
avanços tecnológicos atuais, sem perder de vista os princípios da Palavra de Deus.
Embora não sejam indispensáveis, são fundamentais como estratégia auxiliar de
trabalho. Como pode o pastor trabalhar sem um veículo? Já imaginaram o que o apóstolo
Paulo faria se tivesse em seu escritório um computador, na igreja os equipamentos de som,
os meios de comunicação, ou se tivesse ao seu alcance os recursos que temos hoje? A
Igreja dos primeiros séculos não possuía nada disso, mas mesmo assim fez muito para o
reino de Deus. Não há dúvidas de que as nossas igrejas precisam se contextualizar e
trabalhar sem se contaminar com o mundo.
SC: O irmão tem enfatizado em suas
mensagens
a necessidade de um reavivamento espiritual. Por quê?
Presidente: Prego e continuarei pregando a
necessidade de um reavivamento espiritual legítimo e completo. Essa é a mensagem da
Renovada. Prego porque acredito que somente através dele a igreja será despertada. E
haverá desprendimento, vida com Deus e santificação. Uma verdadeira vida de oração e
comunhão só será alcançada quando isso acontecer. Todo partidarismo, divisão e falta
de amor serão desfeitos com essa bênção. Devemos desejar esse derramar e rogar ao
Senhor para que esse dia chegue logo. A IPRB será outra quando isso acontecer.
SC: Tem uma palavra para a Igreja
Renovada nesta data?
Presidente: Desejo que nesse dia, 3º domingo de
julho, sejamos imensamente gratos a Deus e nos tornemos mais próximos do Senhor.
Lembremos sempre de que a Renovada é fruto da vontade de Deus, e não da vontade do
homem. Vamos unir nossas forças e deixar um pouco as críticas ferinas de lado. Nas
cidades onde há mais de uma Igreja, procurem irmanar-se, trabalhar juntos. Façam isso em
nome de Jesus. Procurem realizar com amor a obra de Deus. Fiquemos com as palavras do
apóstolo Paulo: "Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por
humildade", Fl 2: 3.