Comunhão e amor
Daniela Vidal Ruiz
Cianorte, PR
Se amardes os que vos amam, que galardão tereis? (Mateus 5:46)
Sempre temos ouvido falar de amor.
Temos ouvido e falado deste sentimento que move e sustenta o
mundo. Poucos dias atrás, minha
oração transformou-se e foi transformada. Eu estava me
sentindo longe de Deus, muitas dúvidas começaram a vir à minha
mente e coração, dúvidas que são totalmente inadmissíveis num
cristão.
Orei
ao Senhor para que
mudasse essa situação, para que me tornasse uma pessoa mais
humilde, mais crédula, mais simples...
Orava, mas parecia que
minha oração era débil... Sentia-me um tanto incrédula no mesmo
momento em que suplicava para não o ser. Coloquei minha situação
diante de Deus tal como estava sucedendo e implorei pela sempre
boa e indispensável ajuda do Eterno.
Meu orgulhoso e pecador
coração tentava consolar-me, dizendo que não me achava tão mal;
que, na realidade, eu amava a todo mundo, e que o fato de não
falar com algumas pessoas, por considerá-las leigas e místicas,
não significava que não as amasse, senão que simplesmente era uma
incompatibilidade de caráter.
Nesta continua tentativa
de consolação - inclusive com apoio de versículos bíblicos - como
“se for possível, quanto estiver em vos, tende paz com todos os
homens” (Rm. 12:18) queria acreditar que, com personalidades
diferentes, 'não era possível' ter um relacionamento ou diálogo
perfeito; porém continuava inquieta, pois sabia que alguma coisa
não estava bem.
Foi nessa circunstância
que Deus falou comigo.
O interessante foi que
Deus falou ao meu coração através da mesma pessoa com a qual não
mantinha nenhum diálogo... A mesma pessoa a quem considerava
leiga, mística e diferente de mim.
Sempre expressei, em
minhas orações, que amava a Deus, mas nesse dia recebi um rotundo
“não” como resposta.
Nessa conversa, Deus
usou essa pessoa para relembrar o que estava escrito na
sacrossanta Palavra e me dizer que eu não O amava, pois, se eu O
amasse, amaria as pessoas a quem eu considerava fracas ou
pequenas!
Deus quebrou-me
plenamente! Meus olhos encheram-se de lágrimas...
Foi a partir desse
momento que comecei a ver, de forma clara, quanto exclusivista
tenho sido, tal como meus amigos me dizem que sou. Só a partir
desse momento consegui ver quão discriminadora tenho sido!
Jesus diz em
Mateus 5:46-47: ”pois, se amardes os que
os amam, que galardão havereis? não fazem os publicanos também o
mesmo?. E se saudardes unicamente vossos irmãos, que fazeis de
mais? Não fazem os publicanos também assim?. Sede vos perfeitos
como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.
Deus usou minha vergonha
para envergonhar-me...
E agora... Que é amar?
O apóstolo Paulo
descreveu aos coríntios as características do amor. Relendo o
capítulo 13 da sua primeira carta, consegui compreender o que é
amar.
Se amo, sofrerei por meu
próximo.
Se amo, serei boa para
com meu próximo.
Se amo, não terei inveja
dos outros.
Se amo, não me jactarei
das minhas capacidades em prejuízo do meu próximo.
Se amo meu próximo, este
amor não se ensoberbecerá perante qualquer situação.
Se amo, não serei
egoísta e buscarei o bem do meu próximo.
Se amo, não me irritarei
com as fraquezas de meu próximo.
Se amo, não guardarei
rancor das pessoas que me feriram.
Se amo, não acharei gozo
nas injustiças, mas terei prazer na verdade.
Se amo, sofrerei,
crerei, esperarei e suportarei o meu irmão.
Agora começo a
compreender cabalmente o que é amor, e o que implica amar o
próximo. Pedirei a Deus que me capacite, a cada dia, para que o
amor de Cristo seja abundante em meu coração, e que, a todo
instante, meus olhos sejam abertos para conseguir ver meus pecados
e embaraços... Que abra meus braços para poder abraçar a todos
meus irmãos, inclusive aos que erroneamente considerei fracos ou
leigos.
Não somos uma ilha...
Não somos auto-suficientes. Nossas vidas precisam de duas coisas
para poder crescer: comunhão com Deus e comunhão com os irmãos.
C. S. Lewis dizia que
não devíamos perder o tempo perguntando-nos se “amamos” ao
próximo, senão que devemos comportar-nos como se já o fizéssemos.
Que Deus nos
ajude, a cada dia, a crescer neste processo de santificação, para
assim concordar com as palavras de João Batista: “é
mister que Ele cresça e que eu diminua”.