Imaginem, na minha falta de experiência, quando ele não me deixava fazer o
que queria, dizia comigo mesmo: “que ruim é ter um pai, não queria ter um
pai”. Que bobagem, não sabia o que dizia. Mas esses momentos eram
passageiros, logo a amargura saía, ele mexia comigo e, de novo, eu era
feliz por ter um pai.
Hoje eu não tenho mais um pai. Ele se foi. Um dia me disse que não poderia
mais morar com a gente. Não se entendia mais com a mamãe, brigavam muito e
por isso teria de ir embora. Me disse que seria melhor assim, não
entendi! Me garantiu que nada iria mudar, que tudo ficaria bem, mas, não
foi.
Nunca mais foi a mesma coisa. Sinto sua
falta. Ele vem me ver de vez em quando, mas é muito diferente: tem hora de
chegar, hora para ficar, hora para ir embora de novo, sinto sua falta.
Sinto falta de acordar com sua voz, de suas brincadeiras, de sua presença,
sinto falta de ter um pai.
Ficaram as lembranças daquele tempo. Lembranças de quando era mais feliz.
Mas, guardei para mim uma certeza, uma certeza que ninguém tirará de mim,
uma certeza de verdade: um dia EU TIVE UM PAI!