Pais separados
 
Pr. Marco Lunardeli
   Porto Alegre, RS

 

Encontrei esta redação de um filho de pais separados
e achei muito realista. Mostra um lado da separação de casais
que, às vezes, não é visto. Perguntei se poderia ser publicada
e ele me disse que sim, mas anonimamente.
Então tomei a liberdade e a copiei na íntegra
e estou lhes passando.


      
  Eu tive um pai. Ele cuidava de mim, brincava comigo, me comprava as coisas, era muito legal. É verdade que às vezes ele ficava bravo comigo, nós brigávamos, mas no fundo era bom ter um pai.

Imaginem, na minha falta de experiência, quando ele não me deixava fazer o que queria, dizia comigo mesmo: “que ruim é ter um pai, não queria ter um pai”. Que bobagem, não sabia o que dizia. Mas esses momentos eram passageiros, logo a amargura saía, ele mexia comigo e, de novo, eu era feliz por ter um pai.

Hoje eu não tenho mais um pai. Ele se foi. Um dia me disse que não poderia mais morar com a gente. Não se entendia mais com a mamãe, brigavam muito e por isso teria de ir embora. Me disse que seria melhor assim, não entendi! Me garantiu que nada iria mudar, que tudo ficaria bem, mas, não foi.

Nunca mais foi a mesma coisa. Sinto sua falta. Ele vem me ver de vez em quando, mas é muito diferente: tem hora de chegar, hora para ficar, hora para ir embora de novo, sinto sua falta. Sinto falta de acordar com sua voz, de suas brincadeiras, de sua presença, sinto falta de ter um pai.

Ficaram as lembranças daquele tempo. Lembranças de quando era mais feliz. Mas, guardei para mim uma certeza, uma certeza que ninguém tirará de mim, uma certeza de verdade: um dia EU TIVE UM PAI!

 

 

Atualizada em 25/12/2010